Cuidados Paliativos: Manejo da Dor e Sintomas Refratários

UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2017

Enunciado

Sobre os cuidados paliativos, é correto afirmar, EXCETO:

Alternativas

  1. A) Tricíclicos, gabapentina, pregabalina e duloxetina são considerados medicamentos de primeira linha para o tratamento de dor neuropática. 
  2. B) A constipação intestinal induzida por opioides, deve ser esperada e prevenida em todos os pacientes. Ela é comum com qualquer dose de opioide, e geralmente não há tolerância a esse efeito colateral com o tempo.
  3. C) Ao contrário da associação entre o opioide e paracetamol, não há doses máximas permitidas ou efetivas para agonistas opioides plenos isolados, devendo a dose ser aumentada o quanto necessário para o alívio da dor.
  4. D) Corticosteroides em altas doses podem ser usados em casos refratários de náuseas ou vômitos.
  5. E) O tratamento de dispneia é direcionado principalmente à causa, sendo contraindicado o tratamento com opioides, principalmente a morfina, devido ao risco de depressão respiratória.

Pérola Clínica

Opioides puros não têm 'teto' analgésico, mas têm limites de segurança; são titulados até alívio da dor ou efeitos adversos.

Resumo-Chave

Em cuidados paliativos, a titulação de opioides puros é feita até o alívio da dor ou o surgimento de efeitos adversos intoleráveis, sem um 'teto' analgésico fixo como em associações com paracetamol. No entanto, é fundamental monitorar a segurança e os efeitos colaterais, pois existem doses máximas de segurança para cada fármaco.

Contexto Educacional

Os cuidados paliativos visam melhorar a qualidade de vida de pacientes e suas famílias diante de doenças que ameaçam a continuidade da vida. O manejo da dor e outros sintomas é um pilar fundamental. A dor neuropática, por exemplo, é frequentemente tratada com medicamentos como antidepressivos tricíclicos, gabapentina, pregabalina e duloxetina, que atuam em mecanismos específicos da dor nervosa. No uso de opioides, que são a base do tratamento da dor moderada a intensa, a constipação intestinal induzida por opioides (CIO) é um efeito colateral quase universal e que não desenvolve tolerância, exigindo prevenção e manejo proativo. Para opioides agonistas plenos, não há um 'teto' analgésico fixo; a dose é titulada individualmente até o alívio da dor ou o surgimento de efeitos adversos intoleráveis, sempre respeitando os limites de segurança de cada fármaco. Outros sintomas como náuseas e vômitos podem ser refratários e, em alguns casos, corticosteroides em altas doses podem ser úteis. A dispneia refratária, por sua vez, é um sintoma angustiante que pode ser aliviado com opioides, como a morfina, que reduzem a percepção da falta de ar, mesmo com a preocupação de depressão respiratória, que é minimizada com titulação cuidadosa. Compreender esses princípios é essencial para oferecer um cuidado paliativo de qualidade.

Perguntas Frequentes

Quais medicamentos são de primeira linha para dor neuropática em cuidados paliativos?

Para dor neuropática, medicamentos de primeira linha incluem antidepressivos tricíclicos (como amitriptilina), gabapentina, pregabalina e duloxetina, que atuam modulando a transmissão nervosa.

Como manejar a constipação induzida por opioides (CIO)?

A constipação induzida por opioides deve ser prevenida em todos os pacientes, pois não desenvolve tolerância. O manejo inclui laxantes estimulantes e osmóticos, e, em casos refratários, antagonistas opioides de ação periférica.

Opioides são contraindicados para dispneia em cuidados paliativos?

Não, opioides como a morfina são indicados e eficazes para o tratamento sintomático da dispneia refratária em cuidados paliativos, mesmo com o risco de depressão respiratória, que é manejável com titulação cuidadosa da dose.

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