Dor Crônica em Idosos: Manejo da Osteoartrite com Opioides Fracos

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2022

Enunciado

Paciente 78 anos , viúva , mora só , independente para todas as atividades , além de outras co-morbidades , apresenta dor crônica em joelho D por osteoartrite e que vinha bem controlada com dipirona 1g de 6/6h , mas piorou nos últimos 3 meses . A paciente mostrou-se bem irritada e angustiada com a situação, pois já não está conseguindo realizar seus afazeres domésticos . Refere não conseguir dormir. Pela escala numérica verbal a paciente enumerou sua dor com nota 8 . Qual a melhor conduta:

Alternativas

  1. A) Associar opioide fraco de horário sistemático , mas dose de resgate , laxantes e anti-emético e fisioterapia
  2. B) Suspender a dipirina e introzuir um anti-inflamatorio não esteroidal de forma continuada
  3. C) Já associar um opióide forte como a morfina
  4. D) Associar um ansiolítico , pois deve ser ansiedade , já que a dor vinha bem controlada
  5. E) Encaminhar para musculação , pois necessita apenas de fortalecimento muscular

Pérola Clínica

Dor crônica em idoso com osteoartrite refratária à dipirona → associar opioide fraco, considerar efeitos adversos (constipação, náusea) e fisioterapia.

Resumo-Chave

A paciente apresenta dor crônica intensa (8/10) por osteoartrite, refratária à dipirona e com impacto significativo na qualidade de vida (irritação, insônia, incapacidade funcional). A conduta mais adequada é escalar o tratamento analgésico, associando um opioide fraco de horário sistemático, mas prevendo doses de resgate. É fundamental também prescrever laxantes e antieméticos profilaticamente devido aos efeitos colaterais comuns dos opioides, e manter a fisioterapia para reabilitação funcional.

Contexto Educacional

A dor crônica em idosos, especialmente por osteoartrite, é um desafio comum na prática clínica e afeta significativamente a qualidade de vida. O manejo deve ser multimodal, combinando farmacoterapia e não farmacoterapia (como fisioterapia). A escada analgésica da OMS orienta a progressão do tratamento, começando com analgésicos simples e avançando para opioides fracos e, se necessário, fortes. Em idosos, a farmacocinética e farmacodinâmica dos medicamentos podem estar alteradas, exigindo cautela na prescrição de opioides, com doses menores e monitoramento rigoroso dos efeitos adversos, como constipação e náuseas, que devem ser profilaticamente abordados para garantir a adesão e o conforto do paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da escala numérica verbal (ENV) na avaliação da dor crônica?

A ENV é uma ferramenta simples e eficaz para quantificar a intensidade da dor, permitindo ao paciente atribuir uma nota de 0 a 10. É crucial para monitorar a resposta ao tratamento, ajustar a medicação e avaliar o impacto da dor na qualidade de vida, especialmente em pacientes com dor crônica.

Por que associar um opioide fraco em vez de um forte diretamente para dor crônica em idosos?

A escada analgésica da OMS recomenda iniciar com opioides fracos (como codeína ou tramadol) quando a dor é moderada a grave e não controlada por analgésicos não opioides. Em idosos, a sensibilidade aos opioides é maior, e iniciar com um opioide fraco permite um controle gradual da dor com menor risco de efeitos adversos, reservando os fortes para dores mais intensas ou refratárias.

Quais são os principais efeitos adversos dos opioides e como preveni-los?

Os efeitos adversos mais comuns dos opioides incluem constipação, náuseas, vômitos, sonolência e tontura. A constipação é quase universal e deve ser prevenida com laxantes de horário. Náuseas e vômitos podem ser controlados com antieméticos. É importante monitorar a função renal e hepática, especialmente em idosos, e ajustar as doses conforme necessário.

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