Manejo Seguro da Dor Crônica em Pacientes Idosos

UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2017

Enunciado

Dr. João assume uma estratégia de saúde da familía. Dentro da equipe, descobre que o nível de violência familiar na comunidade é alto. Em seu primeiro dia de trabalho recebe a família de Maria e José para atendimento. Esta utiliza com frequência a unidade. Maria e José têm 3 filhos: Ana (6 anos), Ester (18 anos) e Pedro (9 anos); além deles, mora com a família, Carlos, pai de Maria, um senhor de 79 anos, que possui hipertensão arterial e diabetes. Possui uma capsulite adesiva intensa e dificuldade visual. Sobre o manejo de dor crônica devido à capsulite adesiva do Sr. Carlos, sabe-se que

Alternativas

  1. A) o melhor manejo é com opioides sem associação. 
  2. B) os efeitos dos medicamentos analgésicos superam os efeitos colaterais. 
  3. C) a dor crônica é uma entidade não habitual no manejo dos pacientes idosos.
  4. D) deve-se avaliar a função renal e hepática dos pacientes com dor crônica. 

Pérola Clínica

Dor crônica no idoso → Avaliar função renal/hepática antes de prescrever analgésicos.

Resumo-Chave

O manejo da dor crônica no idoso exige cautela devido à redução da reserva funcional orgânica e polifarmácia, tornando a avaliação renal e hepática indispensável para evitar toxicidade.

Contexto Educacional

O manejo da dor crônica em pacientes idosos, como o Sr. Carlos, exige uma abordagem multidimensional que vai além da simples prescrição de analgésicos. A capsulite adesiva, ou 'ombro congelado', é uma condição debilitante que causa dor intensa e restrição de movimento, frequentemente associada ao diabetes mellitus. No idoso, a farmacocinética e a farmacodinâmica estão alteradas: há redução da massa magra, aumento da gordura corporal, diminuição da água total e, crucialmente, redução das funções hepática e renal. Antes de iniciar qualquer terapia farmacológica, é imperativo avaliar a função renal (através do clearance de creatinina) e a função hepática, pois estas determinam a depuração da maioria dos fármacos. A escada analgésica da OMS deve ser seguida com cautela, preferindo-se o paracetamol ou dipirona como primeira linha, e evitando-se AINEs devido ao alto risco de efeitos adversos. Opioides podem ser utilizados, mas requerem titulação cuidadosa para evitar sedação excessiva, quedas e constipação grave.

Perguntas Frequentes

Por que avaliar a função renal antes de tratar dor no idoso?

O envelhecimento está associado a uma diminuição fisiológica da taxa de filtração glomerular, mesmo na ausência de doença renal óbvia. Muitos analgésicos, especialmente os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e certos opioides ou seus metabólitos, são excretados pelos rins. A falha em ajustar a dose ou evitar fármacos nefrotóxicos pode levar à insuficiência renal aguda, descompensação de hipertensão arterial e insuficiência cardíaca, além de aumentar o risco de toxicidade sistêmica por acúmulo de fármacos.

Quais os riscos do uso de AINEs em idosos com capsulite adesiva?

O uso de AINEs em idosos apresenta riscos significativos, incluindo sangramento gastrointestinal, nefrotoxicidade e agravamento de condições cardiovasculares como hipertensão e insuficiência cardíaca. Na capsulite adesiva, embora o componente inflamatório seja importante, o tratamento deve priorizar analgésicos simples, fisioterapia e, se necessário, infiltrações, reservando os AINEs para cursos muito curtos e sob monitoramento rigoroso da função renal e pressão arterial.

A dor crônica é considerada normal no processo de envelhecimento?

Não, a dor crônica não deve ser considerada uma parte normal ou inevitável do envelhecimento. Embora a prevalência de condições dolorosas (como osteoartrite e capsulite adesiva) aumente com a idade, a dor é sempre um sinal patológico que requer diagnóstico e tratamento adequados. A negligência da dor no idoso pode levar à depressão, isolamento social, declínio funcional e redução drástica da qualidade de vida.

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