Tratamento da DPOC: Guia da Classificação GOLD 2024

Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2025

Enunciado

A base do tratamento medicamentoso da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica são os broncodilatadores por via inalatória, sendo:

Alternativas

  1. A) De acordo com a gravidade e não o perfil de risco da doença.
  2. B) Desacordo com a gravidade e o perfil de risco da doença.
  3. C) De acordo com a gravidade e o perfil de risco da doença.
  4. D) De acordo com o risco da doença e não sua gravidade.

Pérola Clínica

Tratamento da DPOC é individualizado: a escolha do broncodilatador baseia-se na avaliação combinada de sintomas (CAT/mMRC) e risco de exacerbações (histórico).

Resumo-Chave

A estratégia de tratamento da DPOC, segundo as diretrizes GOLD, não se baseia apenas na gravidade da obstrução do fluxo aéreo (VEF1). A abordagem moderna utiliza a avaliação combinada de sintomas (grupos A e B) e o risco de exacerbações (grupos C e D) para guiar a escolha e a intensificação da terapia com broncodilatadores.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição comum, prevenível e tratável, caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação do fluxo aéreo devido a anormalidades das vias aéreas e/ou alveolares, geralmente causadas por exposição significativa a partículas ou gases nocivos, como o tabagismo. O diagnóstico é confirmado pela espirometria, que demonstra uma relação VEF1/CVF < 0,7 pós-broncodilatador. No entanto, o manejo terapêutico vai além da gravidade espirométrica. A iniciativa Global for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD) propõe uma avaliação combinada que classifica os pacientes em grupos (A, B, E) com base na carga de sintomas (avaliada por escalas como mMRC ou CAT) e no histórico de exacerbações. O grupo E (Exacerbador) substituiu os antigos C e D, englobando todos os pacientes com alto risco de exacerbações. A base do tratamento farmacológico são os broncodilatadores inalatórios de longa duração. A escolha inicial depende do grupo GOLD: pacientes do grupo A (poucos sintomas, baixo risco) podem iniciar com um broncodilatador (LABA ou LAMA); pacientes do grupo B (sintomáticos, baixo risco) devem iniciar com terapia dupla (LABA+LAMA); e pacientes do grupo E (alto risco) também devem iniciar com LABA+LAMA. A adição de corticoides inalatórios é reservada para pacientes do grupo E com eosinofilia sanguínea, indicando um componente inflamatório responsivo a essa classe de medicação.

Perguntas Frequentes

O que define o perfil de risco de um paciente com DPOC segundo o GOLD?

O risco é definido principalmente pelo histórico de exacerbações no último ano. Um paciente é considerado de alto risco se teve duas ou mais exacerbações moderadas (que necessitaram de antibióticos e/ou corticoides orais) ou pelo menos uma exacerbação grave que levou à hospitalização.

Quais são os principais grupos de broncodilatadores usados na DPOC?

As duas classes principais são os beta-2 agonistas de longa duração (LABA), como formoterol e salmeterol, e os antagonistas muscarínicos de longa duração (LAMA), como tiotrópio e glicopirrônio. A terapia combinada (LABA + LAMA) é frequentemente utilizada para otimizar a broncodilatação.

Quando os corticoides inalatórios (CI) são indicados na DPOC?

Os CI são adicionados à terapia com broncodilatadores em pacientes com histórico de exacerbações frequentes (alto risco), especialmente se apresentarem contagem de eosinófilos no sangue periférico ≥ 300 células/μL, pois este biomarcador indica maior probabilidade de resposta à terapia anti-inflamatória.

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