Manejo do Sangramento Irregular com DIU de Cobre

HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 20 anos de idade comparece em consulta ambulatorial na unidade básica de saúde, pois deseja iniciar o uso de método contraceptivo. No momento está assintomática. Nega comorbidades, alergias ou uso de medicações. Após a realização da conduta da questão anterior, a paciente optou por utilizar um dispositivo intrauterino (DIU) de cobre, que foi posteriormente inserido. Após dois meses, a paciente retorna se queixando de sangramento intermitente, sem padrão de intervalo entre os eventos, com duração variável de 1 a 3 dias. Qual é a conduta que deve ser orientada à paciente?

Alternativas

  1. A) Remover o DIU de cobre e iniciar o uso de anticoncepcional oral combinado.
  2. B) Remover o DIU de cobre e implantar um novo DIU liberador de levonorgestrel.
  3. C) Prescrever um anti-inflamatório não esteroide para ser usado no período do sangramento.
  4. D) Solicitar uma ultrassonografia pélvica transvaginal para avaliar o posicionamento do DIU.

Pérola Clínica

Sangramento irregular pós-DIU de cobre → Manejo inicial com AINEs ou ácido tranexâmico.

Resumo-Chave

O sangramento intermitente e o aumento do fluxo menstrual são efeitos colaterais comuns nos primeiros 3 a 6 meses após a inserção do DIU de cobre, decorrentes de uma reação inflamatória endometrial local.

Contexto Educacional

O manejo de efeitos colaterais de métodos LARC (Long-Acting Reversible Contraception) é essencial na atenção primária para garantir a continuidade do método e evitar gestações não planejadas. O DIU de cobre é altamente eficaz, mas o aconselhamento pré-inserção sobre as mudanças no padrão menstrual é o fator que mais previne a remoção precoce. Clinicamente, o sangramento irregular nos primeiros meses não indica patologia ou mau posicionamento se a paciente estiver assintomática e os fios estiverem visíveis. O tratamento medicamentoso visa reduzir a morbidade e aumentar a satisfação, permitindo que a paciente ultrapasse a fase de adaptação inicial do endométrio ao dispositivo.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia do sangramento aumentado no DIU de cobre?

O DIU de cobre induz uma reação inflamatória estéril no endométrio, que é o mecanismo principal de sua ação contraceptiva. Essa inflamação leva ao aumento da produção local de prostaglandinas e ativação do sistema fibrinolítico endometrial. Como consequência, há um aumento da permeabilidade vascular e da fragilidade capilar, resultando em maior volume de fluxo menstrual e episódios de sangramento intermenstrual (spotting), especialmente nos primeiros meses após a inserção, enquanto o útero se adapta ao corpo estranho.

Quando indicar a remoção do DIU por sangramento?

A remoção deve ser considerada apenas se o sangramento for persistente após o período de adaptação (geralmente 6 meses), se houver anemia refratária ao tratamento clínico, ou se for o desejo expresso da paciente devido à insatisfação com o método. Antes da remoção, deve-se tentar o manejo medicamentoso com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) durante os dias de sangramento ou ácido tranexâmico. É fundamental descartar outras causas de sangramento, como infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) ou pólipos, antes de atribuir a falha exclusivamente ao método.

O uso de AINEs é eficaz para controlar o spotting?

Sim, os AINEs são considerados a primeira linha de tratamento para o sangramento aumentado e a dismenorreia associados ao DIU de cobre. Eles atuam inibindo a enzima ciclo-oxigenase (COX), reduzindo a síntese de prostaglandinas no endométrio, o que diminui a inflamação e a vasodilatação local. Estudos mostram que o uso de AINEs (como naproxeno ou ibuprofeno) por 3 a 5 dias durante o período de sangramento pode reduzir significativamente o volume sanguíneo e melhorar a tolerância da paciente ao método contraceptivo.

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