UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022
Paciente de 82 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica (estágio GOLD D), em uso de oxigênio contínuo por cateter nasal no domicílio há 3 anos e de fármacos para controle da doença de base, foi trazido à Emergência por apresentar dispneia em repouso, com inicio há 7 dias, e por não conseguir mais se alimentar devido à falta de ar. Com histórico de 7 internações no último ano por quadros semelhantes, tivera alta hospitalar há 2 semanas. Referiu, com a fala entrecortada, que, há 1 ano, não conseguia colocar a própria roupa ou efetuar qualquer atividade básica de vida diária sem o auxílio de terceiros devido à dispneia e que não saía de casa há mais de 2 anos em razão dessa limitação. Negou ter secreção respiratória e febre. Ao exame, encontrava-se emagrecido, afebril, lúcido, taquidispneico e taquicárdico. Havia murmúrio vesicular diminuído, sem ruídos adventícios; a frequência respiratória era de 30 mpm, e a saturação de oxigênio, de 91% (com cateter nasal de oxigênio a 3 l/min). O restante da avaliação dos sistemas não mostrou alterações. Exames complementares não apontaram evidência de quadro agudo infeccioso ou embólico. Apresentados os objetivos terapêuticos, o paciente disse querer somente alívio para sua falta de ar, pois sabia ter pouco tempo de vida. A conduta mais adequada, neste momento, é prescrever.
DPOC avançado com dispneia refratária e fim de vida → opioides parenterais em baixa dose são a conduta mais adequada para alívio sintomático.
Em pacientes com DPOC avançado (GOLD D), dispneia refratária e prognóstico limitado, o foco muda para cuidados paliativos e alívio sintomático. Opioides, como a morfina, são a pedra angular no manejo da dispneia refratária, mesmo na ausência de dor. A via parenteral em baixa dose é eficaz e segura para proporcionar conforto, conforme o desejo do paciente.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) em estágio avançado (GOLD D) é caracterizada por sintomas graves, exacerbações frequentes e limitações significativas nas atividades de vida diária, impactando drasticamente a qualidade de vida. Quando a dispneia se torna refratária ao tratamento otimizado da doença de base e o paciente expressa o desejo de alívio sintomático em face de um prognóstico limitado, a abordagem deve se voltar para os cuidados paliativos. Nesse contexto, o manejo da dispneia é primordial. Opioides, como a morfina, são a medicação de escolha para o alívio da dispneia refratária, mesmo na ausência de dor. Eles atuam no sistema nervoso central, modulando a percepção da falta de ar e reduzindo a ansiedade associada. A administração parenteral (subcutânea ou intravenosa) em baixas doses, com titulação cuidadosa, é eficaz e segura, proporcionando conforto rápido e sustentado. Benzodiazepínicos podem ser usados como adjuvantes para ansiedade, mas não são a primeira linha para a dispneia em si. É crucial que residentes compreendam a importância de reconhecer o momento de transição para os cuidados paliativos em pacientes com doenças crônicas avançadas. A comunicação empática sobre os objetivos terapêuticos e o respeito à autonomia do paciente são fundamentais. O uso de opioides para dispneia é uma prática baseada em evidências que melhora significativamente o conforto e a dignidade do paciente em fim de vida.
Opioides, como a morfina, são a principal classe de medicamentos para o manejo da dispneia refratária em pacientes com DPOC avançado, mesmo na ausência de dor. Eles atuam no sistema nervoso central, reduzindo a percepção da falta de ar e a ansiedade associada, melhorando o conforto do paciente.
A via parenteral (subcutânea ou intravenosa) é frequentemente preferível em pacientes com dispneia grave e dificuldade de alimentação, pois garante absorção rápida e previsível, permitindo uma titulação mais eficaz da dose para o alívio sintomático imediato e contínuo.
Os objetivos terapêuticos em pacientes com DPOC avançado em fim de vida são primariamente o alívio dos sintomas (dispneia, dor, ansiedade), a melhoria da qualidade de vida e o suporte psicossocial para o paciente e sua família, em linha com os princípios dos cuidados paliativos.
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