Dispneia em Cuidados Paliativos: Manejo com Hipodermóclise

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 46 anos de idade procura serviço de emergência por dispneia progressiva nos últimos 5 dias. Paciente com antecedente de neoplasia de mama metastática em seguimento regular com equipe de Cuidados Paliativos e possui diretivas avançadas de vida definidas a respeito de não intubação orotraqueal e não reanimação cardiopulmonar. Ao exame clínico apresenta-se agitada e confusa, frequência respiratória de 48 ipm, Saturação de O2 de 88% ar ambiente, Pressão Arterial de 80x60 mmHg e frequência cardíaca de 133 bpm. Solicitada radiografia de tórax a seguir: A equipe de enfermagem relata não conseguir acesso venoso periférico na paciente. Qual alternativa contempla a melhor proposta terapêutica nesse momento para essa paciente? 

Alternativas

  1. A) Morfina por acesso venoso central.
  2. B) Midazolam por hipodermóclise.
  3. C) Midazolan por acesso venoso central.
  4. D) Morfina por hipodermóclise.
  5. E) Diazepam por hipodermóclise.

Pérola Clínica

Dispneia grave em cuidados paliativos com acesso venoso difícil → Morfina por hipodermóclise é a melhor opção para alívio sintomático.

Resumo-Chave

Em pacientes em cuidados paliativos com dispneia refratária e acesso venoso comprometido, a morfina é o fármaco de escolha para alívio da dispneia. A hipodermóclise é uma via de administração segura e eficaz para opioides e outros medicamentos, especialmente quando o acesso intravenoso é inviável, garantindo o conforto do paciente conforme suas diretivas avançadas.

Contexto Educacional

O manejo da dispneia em pacientes com neoplasia metastática em cuidados paliativos é um desafio clínico frequente e de extrema importância. A dispneia, muitas vezes refratária, causa grande sofrimento e ansiedade. Em pacientes com diretivas avançadas de vida, o foco principal da equipe de saúde é o alívio dos sintomas e a promoção do conforto, respeitando os desejos do paciente e sua família. A prevalência de dispneia em pacientes com câncer avançado pode chegar a 70%. A fisiopatologia da dispneia em câncer é multifatorial, incluindo obstrução das vias aéreas, derrame pleural, anemia, linfangite carcinomatosa, embolia pulmonar e fraqueza muscular. O diagnóstico é clínico, e a avaliação da causa subjacente é importante, mas o alívio sintomático é prioritário. A morfina é o fármaco de escolha para o tratamento da dispneia em cuidados paliativos, atuando nos receptores opioides no SNC para reduzir a percepção da falta de ar e a ansiedade associada. Quando o acesso venoso periférico é difícil ou inviável, a hipodermóclise (via subcutânea) surge como uma alternativa segura, eficaz e de fácil aplicação para a administração de medicamentos como a morfina, midazolam e antieméticos. Essa via permite a administração contínua ou intermitente de fármacos, garantindo o controle dos sintomas sem a necessidade de procedimentos invasivos ou dolorosos. Em um cenário de paciente agitado, confuso, hipotenso e com hipoxemia grave, a prioridade é o conforto, e a morfina por hipodermóclise é a conduta mais apropriada e compassiva, alinhada com os princípios dos cuidados paliativos e as diretivas avançadas de vida.

Perguntas Frequentes

Qual é o papel da morfina no manejo da dispneia em cuidados paliativos?

A morfina é o opioide de primeira linha para o manejo da dispneia em pacientes em cuidados paliativos, mesmo na ausência de dor. Ela atua no sistema nervoso central, reduzindo a percepção da dispneia e a ansiedade associada, além de diminuir o trabalho respiratório.

Quando a hipodermóclise deve ser considerada como via de administração?

A hipodermóclise é uma excelente opção quando o acesso venoso periférico é difícil ou impossível, quando há necessidade de administração contínua de medicamentos, ou quando a via oral não é viável. É amplamente utilizada em cuidados paliativos para hidratação e administração de opioides, antieméticos e sedativos.

Como as diretivas avançadas de vida influenciam a conduta em pacientes paliativos?

As diretivas avançadas de vida são cruciais, pois expressam os desejos do paciente sobre tratamentos futuros, como não intubação ou não reanimação. Elas guiam a equipe médica a focar no conforto e na qualidade de vida, evitando intervenções fúteis e respeitando a autonomia do paciente em fim de vida.

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