Dispneia em Cuidados Paliativos: Estratégias de Alívio

UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2021

Enunciado

Quanto ao tratamento de dispneia em cuidados paliativos, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) O uso da morfina deve ser evitado nos últimos dias de vida pelo risco de dependência psíquica.
  2. B) Benzodiazepínicos são inapropriados em pacientes idosos e não devem ser usados em pacientes com dispneia em cuidados paliativos.
  3. C) O uso de ventiladores na face reduz a intensidade da dispneia via estimulação do nervo trigêmeo por meio de receptores cutâneos ou nasais.
  4. D) Oxigenioterapia está recomendada como primeira linha de tratamento da dispneia em idosos.

Pérola Clínica

Ventiladores faciais aliviam dispneia em paliativos via estimulação trigeminal, mesmo sem hipoxemia.

Resumo-Chave

Em cuidados paliativos, a dispneia é um sintoma angustiante. O uso de ventiladores na face (ar frio) é uma medida não farmacológica eficaz, que atua pela estimulação do nervo trigêmeo, proporcionando alívio da sensação de falta de ar, independentemente da saturação de oxigênio.

Contexto Educacional

A dispneia é um sintoma prevalente e angustiante em pacientes em cuidados paliativos, afetando significativamente a qualidade de vida. É definida como a experiência subjetiva de dificuldade respiratória e pode ser causada por diversas condições subjacentes, como insuficiência cardíaca, DPOC, câncer pulmonar ou anemia. O manejo eficaz da dispneia é um pilar fundamental dos cuidados paliativos, visando o conforto do paciente. O tratamento da dispneia em cuidados paliativos envolve abordagens farmacológicas e não farmacológicas. A morfina é o opioide de escolha e a medicação de primeira linha para o alívio da dispneia, atuando no centro respiratório e reduzindo a percepção da falta de ar. Benzodiazepínicos podem ser usados para controlar a ansiedade associada. Entre as medidas não farmacológicas, o uso de ventiladores na face, que fornecem um fluxo de ar frio, tem demonstrado eficácia na redução da sensação de dispneia, provavelmente por estimulação do nervo trigêmeo e distração sensorial, mesmo em pacientes sem hipoxemia. A oxigenioterapia, embora frequentemente utilizada, tem benefício comprovado principalmente em pacientes com hipoxemia. Em normoxêmicos, seu uso deve ser avaliado criteriosamente, pois pode não trazer alívio significativo e gerar desconforto. Outras medidas incluem posicionamento confortável, técnicas de relaxamento e reabilitação pulmonar. O residente deve dominar essas estratégias para proporcionar o máximo conforto aos pacientes em fim de vida.

Perguntas Frequentes

Qual o papel da morfina no tratamento da dispneia em cuidados paliativos?

A morfina é a medicação de primeira linha para o alívio da dispneia em cuidados paliativos, mesmo na ausência de dor. Ela atua no sistema nervoso central, reduzindo a percepção da falta de ar e a ansiedade associada.

A oxigenioterapia é sempre indicada para dispneia em pacientes paliativos?

A oxigenioterapia é indicada principalmente para pacientes com hipoxemia. Em pacientes normoxêmicos, seu benefício é limitado e outras medidas, como ventiladores faciais ou opioides, podem ser mais eficazes.

Como os benzodiazepínicos podem ser usados no manejo da dispneia em cuidados paliativos?

Benzodiazepínicos, como o midazolam ou lorazepam, são úteis para reduzir a ansiedade e o pânico associados à dispneia, especialmente em pacientes com agitação ou insônia, mas não tratam a dispneia diretamente.

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