IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2020
Mulher de 21 anos de idade é avaliada com quadro de azia, pirose e dor epigástrica há 3 semanas. Nega uso de medicamentos, etilismo, tabagismo, viagem recente ou patologias prévias. Seu pai teve câncer gástrico aos 73 anos de idade. Exame físico: hidratada, corada, anictérica e afebril; sinais vitais normais; cardiopulmonar sem alterações; desconforto leve à palpação do andar superior do abdômen, sem massas ou órgãos palpáveis. Nesse momento, a melhor conduta é:
Dispepsia < 45-50 anos sem sinais de alarme → Teste terapêutico com IBP/Bloqueador H2 por 4-8 semanas.
Em pacientes jovens com sintomas dispépticos e ausência de sinais de alarme (como perda de peso, disfagia, sangramento gastrointestinal, anemia), a conduta inicial mais apropriada é um teste terapêutico com um inibidor de bomba de prótons (IBP) ou um bloqueador H2, como a ranitidina, por um período de 4 a 8 semanas. A endoscopia digestiva alta é reservada para casos com sinais de alarme ou falha do tratamento empírico.
A dispepsia é uma queixa comum na prática clínica, caracterizada por dor ou desconforto no andar superior do abdômen. Sua prevalência é alta, afetando uma parcela significativa da população. O manejo adequado é crucial para evitar exames desnecessários e garantir o alívio dos sintomas, especialmente em pacientes jovens sem fatores de risco ou sinais de alarme para doenças graves. A abordagem inicial deve ser baseada na estratificação de risco e na presença de sinais de alarme. Em pacientes com menos de 45-50 anos e sem sinais de alarme, a estratégia 'testar e tratar' para H. pylori ou um teste terapêutico empírico com inibidores de bomba de prótons (IBP) ou bloqueadores H2 é a conduta preferencial. Essa abordagem visa aliviar os sintomas e, se o H. pylori for positivo, erradicar a bactéria. A endoscopia digestiva alta é reservada para pacientes com sinais de alarme, idade avançada ou falha do tratamento empírico, a fim de investigar causas orgânicas como úlceras, esofagite grave ou neoplasias. O prognóstico da dispepsia funcional é geralmente bom, com muitos pacientes respondendo ao tratamento empírico. É importante educar o paciente sobre mudanças no estilo de vida e dieta, além de monitorar a resposta ao tratamento. A falha terapêutica ou o surgimento de novos sintomas de alarme devem levar à reavaliação e, possivelmente, à investigação endoscópica.
Sinais de alarme incluem perda de peso inexplicada, disfagia, odinofagia, sangramento gastrointestinal (hematêmese, melena), anemia por deficiência de ferro, massa abdominal palpável, icterícia e história familiar de câncer gastrointestinal em idade jovem.
A ranitidina é um bloqueador H2 que reduz a produção de ácido gástrico, aliviando sintomas de azia e dor epigástrica. Em pacientes jovens sem sinais de alarme, um teste terapêutico empírico é custo-efetivo e evita procedimentos invasivos, sendo a abordagem recomendada pelas diretrizes.
A erradicação do H. pylori é indicada após a confirmação da infecção (por teste respiratório, pesquisa de antígeno fecal ou biópsia endoscópica) em pacientes com dispepsia, especialmente se houver úlcera péptica ou linfoma MALT. Não é a conduta inicial sem diagnóstico.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo