Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026
Paciente de 54 anos, com história de dor torácica súbita, evoluindo com perda de consciência em casa. Os familiares iniciaram manobras de reanimação cardiopulmonar. O SAMU chegou após 6 minutos e evidenciou a presença do DEA do ritmo de fibrilação ventricular. Após retorno da circulação espontânea, 12 minutos após PCR, no ambiente hospitalar, o paciente permanece comatoso (Glasgow 6), ventilado e estável hemodinamicamente sob noradrenalina em dose baixa. Qual é a conduta recomendada para neuroproteção?
Comatoso pós-PCR → TTM (32–36°C) por ≥ 24h para neuroproteção.
O Manejo Direcionado de Temperatura (TTM) é a intervenção padrão para pacientes que permanecem comatosos após o retorno da circulação espontânea (ROSC), visando reduzir a lesão de reperfusão e o metabolismo cerebral.
O manejo pós-parada cardiorrespiratória evoluiu significativamente com a implementação do Manejo Direcionado de Temperatura (TTM). A fisiopatologia da lesão cerebral pós-PCR envolve uma fase inicial de isquemia seguida por uma fase de reperfusão, onde ocorrem processos de estresse oxidativo, inflamação e apoptose neuronal. O TTM atua reduzindo a taxa metabólica cerebral de oxigênio (aproximadamente 6-7% para cada 1°C de queda), estabilizando a barreira hematoencefálica e inibindo a liberação de neurotransmissores excitatórios como o glutamato. Estudos clínicos seminais demonstraram que o controle rigoroso da temperatura melhora a sobrevida com função neurológica favorável. Embora o debate entre 33°C vs 36°C continue, o consenso atual enfatiza que a prevenção da febre é o componente mais crítico. O manejo deve ser iniciado o mais rápido possível após o ROSC no ambiente hospitalar, utilizando métodos de resfriamento invasivos (cateteres endovasculares) ou não invasivos (mantas térmicas, gelo). O monitoramento contínuo da temperatura central (esofágica, retal ou vesical) é obrigatório durante todo o processo.
O Manejo Direcionado de Temperatura (TTM) é indicado para todos os pacientes adultos que não respondem a comandos (permanecem comatosos) após o retorno da circulação espontânea (ROSC) de uma parada cardiorrespiratória (PCR), independentemente de o ritmo inicial ter sido chocável (como FV/TV) ou não chocável (como assistolia/AESP). O objetivo é mitigar a cascata de lesão cerebral pós-isquêmica.
As diretrizes atuais recomendam selecionar e manter uma temperatura constante entre 32°C e 36°C por um período de pelo menos 24 horas. Após esse período inicial de resfriamento ou controle estrito, é fundamental evitar ativamente a febre (temperatura > 37,5°C) por pelo menos 72 horas após o ROSC, pois a hipertermia está associada a piores desfechos neurológicos.
As contraindicações absolutas são raras, mas incluem sangramento ativo incontrolável e choque séptico refratário. Pacientes com ordens de não ressuscitação (DNR) ou doenças terminais pré-existentes também não devem ser submetidos ao protocolo. A instabilidade hemodinâmica leve, como a necessidade de doses baixas de vasopressores, não contraindica o início do resfriamento.
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