Diarreia e Desidratação em Lactentes: Manejo Inicial

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Lactente de 7 meses com diarreia aquosa sem sangue há 2 dias, com febre eventual não aferida. Mãe refere vômitos ocasionais, irritabilidade e sede intensas. Lactente aceita apenas leite materno. Ao exame, à noite. Ao exame físico, a criança apresentava-se em REG, saliva espessa; FC 153, FR = 48; tempo de enchimento capilar de 4 segundos. Nesse caso, qual é a conduta inicial correta?SRO = Sais de Reidratação OralSF = Soro fisiológicoIM = intramuscular

Alternativas

  1. A) Bromoprida IM; alta com SRO, leite materno e dieta constipante.
  2. B) SF 30ml/kg em 30 minutos; metoclopramida IM; suspender o aleitamento materno.
  3. C) Hidratação por gastróclise 50-100ml/kg em 4h, dieta oral zero e reavaliar.
  4. D) SRO 50ml/kg em 4 horas, manter aleitamento materno, ondansetrona 1x se necessário.
  5. E) SF 20ml/kg em 20 minutos em “bolus” repetidos; suspender a dieta e reavaliar.

Pérola Clínica

Desidratação moderada em lactente com vômitos → SRO 50ml/kg em 4h, manter LM, ondansetrona 1x se vômitos persistentes.

Resumo-Chave

Lactentes com diarreia e desidratação moderada, mesmo com vômitos ocasionais, devem ser prioritariamente reidratados via oral com SRO. O aleitamento materno deve ser mantido e a ondansetrona pode ser considerada para reduzir os vômitos e facilitar a reidratação oral.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de 5 anos em todo o mundo, sendo a desidratação sua complicação mais grave. A avaliação do grau de desidratação é crucial para guiar a conduta terapêutica, que varia desde a terapia de reidratação oral (TRO) para casos leves a moderados até a hidratação intravenosa para desidratação grave ou choque. No caso de desidratação moderada, como a apresentada pelo lactente da questão (saliva espessa, FC 153, FR 48, TPC 4s, irritabilidade, sede intensa), a terapia de reidratação oral com Sais de Reidratação Oral (SRO) é a conduta de escolha. O SRO deve ser administrado em pequenas quantidades e frequentemente, com o objetivo de repor o volume perdido. O aleitamento materno deve ser mantido, pois oferece nutrientes e proteção imunológica, não sendo contraindicado na diarreia. Vômitos ocasionais podem dificultar a TRO, mas não são uma contraindicação absoluta. Nesses casos, a ondansetrona pode ser utilizada como antiemético para facilitar a aceitação do SRO. A hidratação intravenosa é reservada para casos de desidratação grave, choque ou falha da TRO. A monitorização contínua do estado de hidratação e dos sinais vitais é essencial para ajustar a terapia conforme a evolução do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desidratação moderada em um lactente com diarreia?

Sinais incluem irritabilidade, sede intensa, saliva espessa, taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado (2-4 segundos), olhos encovados e diminuição da elasticidade da pele, embora este último possa ser menos evidente em desidratação moderada.

Qual a importância do Sais de Reidratação Oral (SRO) no tratamento da diarreia em crianças?

O SRO é fundamental porque repõe água e eletrólitos perdidos nas fezes, prevenindo e tratando a desidratação de forma eficaz e segura, aproveitando o cotransporte de sódio-glicose no intestino.

Quando considerar o uso de ondansetrona em lactentes com diarreia e vômitos?

A ondansetrona pode ser considerada em casos de vômitos persistentes que dificultam a terapia de reidratação oral, auxiliando na retenção do SRO e na prevenção da necessidade de hidratação intravenosa.

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