UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2023
Homem, 54 anos, branco, portador de diabetes mellitus tipo 2 e HAS há 10 anos. Sem queixas específicas. Nega etilismo e tabagismo. Medicações em uso: metformina XR 1000mg, duas vezes ao dia; losartana potássica 50mg, duas vezes ao dia; hidroclorotiazida 25mg, uma vez ao dia. Nega etilismo e tabagismo. Exame físico: IMC 31kg/m2 , PA: 140x90mmHg, FC: 72 bpm, demais aparelhos dentro da normalidade. Exames laboratoriais: glicemia de jejum 150mg/dL, HbA1c: 7,7%, TFGe (CKD-EPI): 42 mL/min/1,73m2 , eletrólitos dentro da normalidade, ácido úrico 7,7mg/dL, colesterol HDL 52mg/dL e LDL 65mg/dL. Sobre o quadro acima, assinale a alternativa CORRETA:
DM2 + HAS + DRC (TFGe 42): Ajustar metformina, suspender tiazídico, adicionar GLP-1 (semaglutida oral) e BCC para nefroproteção e controle.
Paciente com DM2 e HAS descompensados, associados a Doença Renal Crônica (DRC estágio 3B), exige otimização do tratamento. É crucial ajustar a dose de metformina para a TFGe, suspender diuréticos tiazídicos com eficácia reduzida na DRC e introduzir medicações com benefício cardiovascular e renal comprovado, como os agonistas de GLP-1 e bloqueadores de canal de cálcio para controle pressórico.
O manejo do Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) e da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) em pacientes com Doença Renal Crônica (DRC) é complexo e exige uma abordagem individualizada. A DRC é uma complicação comum e grave do DM2 e da HAS, e a otimização do tratamento visa não apenas o controle glicêmico e pressórico, mas também a nefroproteção e a redução do risco cardiovascular. A escolha das medicações deve considerar a função renal do paciente. A metformina, por exemplo, requer ajuste de dose ou suspensão em estágios avançados da DRC. Classes de medicamentos como os agonistas do receptor de GLP-1 e os inibidores do SGLT2 são preferenciais devido aos seus comprovados benefícios renais e cardiovasculares, além do controle glicêmico. Para a HAS, inibidores do sistema renina-angiotensina (IECA/BRA) são a base, frequentemente combinados com bloqueadores de canal de cálcio. É fundamental monitorar de perto a função renal, os eletrólitos e o controle glicêmico e pressórico. A suspensão de diuréticos tiazídicos em DRC mais avançada e a consideração de diuréticos de alça, se necessário, são aspectos importantes. O objetivo é alcançar as metas terapêuticas com segurança, minimizando os riscos de eventos adversos e retardando a progressão da doença renal.
A metformina é excretada pelos rins, e sua dose deve ser ajustada conforme a taxa de filtração glomerular estimada (TFGe). É recomendada a redução da dose quando a TFGe está entre 30-45 mL/min/1,73m2 e a suspensão quando a TFGe é inferior a 30 mL/min/1,73m2, devido ao risco de acidose láctica.
Os agonistas do receptor de GLP-1 (como a semaglutida) e os inibidores do SGLT2 (como a dapagliflozina) são classes de medicamentos que demonstraram benefícios significativos na redução de eventos cardiovasculares e na progressão da doença renal em pacientes com DM2 e DRC.
O controle da hipertensão é crucial para a nefroproteção. A terapia geralmente inclui um inibidor da ECA ou bloqueador do receptor de angiotensina (BRA), como a losartana. Adicionalmente, bloqueadores de canal de cálcio (como o anlodipino) são frequentemente usados para atingir as metas pressóricas, enquanto diuréticos tiazídicos perdem eficácia em TFGe mais baixas.
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