DM2 e IC: Empaglifozina e Manejo da Glicazida

UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023

Enunciado

Homem, 57 anos, DM tipo 2 diagnosticado há 30 dias, em uso regular das seguintes medicações: Valsartana 160mg ao dia, Bisoprolol 5mg ao dia, AAS 100mg ao dia, Atorvastatina 40mg ao dia, Metformina 850mg 3 vezes ao dia e, Glicazida 60mg ao dia; com boa adesão à dieta e atividade física. Nos últimos dias está apresentando sintomas de hipoglicemia no período da manhã, com valores de glicemia capilar entre 50 e 60 mg/dL. Apresenta diagnóstico de insuficiência cardíaca classe funcional II, com antecedente de infarto do miocárdio há 16 meses. Ecocardiograma demonstra hipocinesia focal em parede anterior do ventrículo esquerdo e fração de ejeção de 42%. Exame clínico mostra IMC de 34 kg/m², cintura 102 cm e PA 135 x 90 mmHg; traz ainda HbA1c de 8,0%. A conduta mais adequada neste caso é:

Alternativas

  1. A) iniciar insulina Glargina, manter metformina e suspender glicazida.
  2. B) iniciar Pioglitazona e Liraglutida, manter Metformina e Glicazida.
  3. C) iniciar Sitagliptina, suspender Metformina e aumentar dose da Glicazida.
  4. D) iniciar Empaglifozina, manter Metformina e reduzir Glicazida.
  5. E) manter o tratamento atual visto que a hemoglobina glicada está na meta, considerando as comorbidades do paciente.

Pérola Clínica

DM2 + IC + hipoglicemia: Reduzir sulfonilureia (Glicazida) e adicionar iSGLT2 (Empaglifozina) para benefício cardiovascular.

Resumo-Chave

O paciente apresenta DM2, IC com FE reduzida e hipoglicemia, além de obesidade. A Glicazida (sulfonilureia) tem alto risco de hipoglicemia. A Empaglifozina (iSGLT2) é indicada em DM2 com IC e doença cardiovascular estabelecida, conferindo benefícios cardiorrenais e baixo risco de hipoglicemia. Reduzir a Glicazida é crucial para evitar novas hipoglicemias.

Contexto Educacional

O manejo do Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) em pacientes com comorbidades, como insuficiência cardíaca (IC) e doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA), exige uma abordagem individualizada que vá além do simples controle glicêmico. A escolha dos medicamentos deve considerar os benefícios cardiovasculares e renais, além do risco de hipoglicemia. Este paciente apresenta DM2, IC com fração de ejeção reduzida (42%), histórico de IAM, obesidade e episódios de hipoglicemia matinal. A Glicazida, uma sulfonilureia, atua estimulando a secreção de insulina e é conhecida por seu potencial de causar hipoglicemia, o que já está ocorrendo no paciente. Em contraste, os inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (iSGLT2), como a Empaglifozina, têm demonstrado robustos benefícios cardiovasculares e renais em pacientes com DM2 e IC, reduzindo hospitalizações por IC e mortalidade cardiovascular, com baixo risco de hipoglicemia. Portanto, a conduta mais adequada é reduzir a dose da Glicazida para mitigar o risco de hipoglicemia e iniciar a Empaglifozina para conferir proteção cardiovascular e renal, mantendo a Metformina como base do tratamento, visto que ela é bem tolerada e tem benefícios comprovados. A HbA1c de 8,0% neste paciente com múltiplas comorbidades pode ser aceitável, priorizando a segurança e os benefícios cardiorrenais sobre um controle glicêmico muito estrito que aumentaria o risco de hipoglicemia.

Perguntas Frequentes

Por que a Empaglifozina é indicada neste paciente com DM2 e IC?

A Empaglifozina, um inibidor de SGLT2, demonstrou reduzir eventos cardiovasculares e hospitalizações por insuficiência cardíaca em pacientes com DM2 e IC, independentemente da fração de ejeção.

Qual o risco da Glicazida neste cenário?

A Glicazida, uma sulfonilureia, estimula a secreção de insulina e tem alto risco de causar hipoglicemia, o que já está ocorrendo no paciente, e não oferece benefícios cardiovasculares diretos.

Qual a meta de HbA1c para pacientes com DM2 e comorbidades?

Para pacientes com DM2 e múltiplas comorbidades, como doença cardiovascular estabelecida e risco de hipoglicemia, a meta de HbA1c pode ser menos rigorosa, geralmente entre 7,0% e 8,0%, para evitar hipoglicemias.

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