Manejo DM2 e HAS com DRC: SBD 2023

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2024

Enunciado

Sr. Antônio, 62 anos, portador de hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2 há 20 anos, vai à primeira consulta em UBS após ter mudado de município. Traz a última receita que segue há 3 anos sem modificações e os resultados dos últimos exames laboratoriais, realizados há 40 dias. Está assintomático, não fuma e não tem outras comorbidades. Os medicamentos em uso são: Hidroclorotiazida 25 mg por dia, Enalapril 40 mg por dia, Metformina 2.550 mg por dia e Rosuvastatina 40 mg por dia. Exame físico: Peso: 95 kg, Altura: 1,72 m, IMC: 31,4 kg/m², PA: 135 x 85 mmHg. Exames: Glicemia: 128 g/dL, HbA1c: 7,5%, Colesterol total: 200 mg/dL, HDL: 46 mg/dL, Triglicérides: 160 mg/dL. Creatinina: 1,8 mg/dL (taxa de filtração glomerular calculada por Cockroft-Gault 57 ,2 mL/min), Albuminúria: 12 mg/L. De acordo com as recomendações da Sociedade Brasileira de Diabetes de 2023, a melhor proposta terapêutica, dentre as abaixo, neste caso é:

Alternativas

  1. A) suspender Rosuvastatina e iniciar agonista do receptor GLP1.
  2. B) suspender Metformina e iniciar Insulina NPH.
  3. C) aumentar a dose de Enalapril e iniciar Glicazida.
  4. D) manter medicação atual e reforçar mudança de estilo de vida.

Pérola Clínica

DM2 + DRC estágio 3 + HAS controlada + HbA1c 7,5% → manter terapia e estilo de vida.

Resumo-Chave

O paciente apresenta DM2 e HAS com doença renal crônica (TFG 57,2 mL/min). Sua PA e HbA1c (7,5%) estão dentro das metas individualizadas para pacientes com comorbidades e risco cardiovascular. A medicação atual é adequada e o foco deve ser na manutenção e reforço do estilo de vida.

Contexto Educacional

O manejo do Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2) e da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) em pacientes idosos com múltiplas comorbidades, como a doença renal crônica (DRC), exige uma abordagem individualizada e cuidadosa. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) de 2023 enfatizam a importância de metas terapêuticas flexíveis para evitar complicações como hipoglicemia e hipotensão. Neste caso, o paciente apresenta uma HbA1c de 7,5% e PA de 135x85 mmHg, que são consideradas adequadas para sua idade e comorbidades, especialmente a DRC estágio 3 (TFG 57,2 mL/min). A metformina, mesmo com TFG reduzida, pode ser mantida com monitoramento, pois a TFG ainda está acima do limite para sua suspensão (geralmente <30 mL/min). O enalapril e a hidroclorotiazida são apropriados para HAS e proteção renal. A rosuvastatina está indicada para dislipidemia em paciente de alto risco. A manutenção da medicação atual e o reforço nas mudanças de estilo de vida são a melhor conduta, pois o paciente está bem controlado e uma intensificação desnecessária poderia trazer mais riscos do que benefícios. A educação do paciente sobre dieta, exercícios e adesão medicamentosa é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são as metas de HbA1c para pacientes com DM2 e comorbidades?

Para pacientes com DM2, múltiplas comorbidades, doença cardiovascular estabelecida ou risco de hipoglicemia, a meta de HbA1c pode ser mais flexível, geralmente entre 7,0% e 8,0%, para evitar hipoglicemia.

Como a doença renal crônica influencia o tratamento do DM2 e HAS?

A DRC exige ajuste de doses de alguns medicamentos (como metformina) e a preferência por agentes com benefício renal (iSGLT2, agonistas GLP-1). A PA deve ser controlada rigorosamente para proteger os rins.

Por que o estilo de vida é tão importante no manejo do DM2 e HAS?

Mudanças no estilo de vida, como dieta saudável, atividade física regular e perda de peso, são a base do tratamento, podendo melhorar o controle glicêmico e pressórico, reduzir o risco cardiovascular e retardar a progressão da DRC.

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