Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2020
Mulher, 64 anos de idade, diabética, em uso de metformina 850 mg/dia de liberação lenta e gliclazida 120 mg/dia, iniciou há um mês 20Ul de insulina NPH, ao deitar. Negou intercorrências desde a última consulta. Ao exame clínico, presença de nódulos subcutâneos indolores em região do abdome e presença de dermatite ocre em membros inferiores. Ao verificar os exames laboratoriais de controle, foi constatado Hemoglobina glicada (HbA1c): 9,4%. Diante do quadro clínico atual, pode-se afirmar que:
DM2 descompensado com insulina → suspender sulfonilureia (gliclazida) por falência de célula beta e risco de hipoglicemia.
Em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 e controle glicêmico inadequado, especialmente com HbA1c elevada e em uso de insulina, a manutenção de sulfonilureias como a gliclazida pode ser desnecessária ou até prejudicial, aumentando o risco de hipoglicemia sem benefício adicional, devido à provável falência das células beta.
Diabetes Mellitus tipo 2 é uma doença crônica progressiva caracterizada por resistência à insulina e disfunção das células beta pancreáticas. O controle glicêmico adequado é crucial para prevenir complicações micro e macrovasculares. A terapia farmacológica evolui de agentes orais para a inclusão de insulina à medida que a doença progride e a função das células beta diminui. A decisão de suspender sulfonilureias, como a gliclazida, ao iniciar ou intensificar a insulinoterapia em pacientes com DM2 descompensado, reflete a compreensão da fisiopatologia da doença. Com a falência progressiva das células beta, a capacidade das sulfonilureias de estimular a secreção endógena de insulina é limitada, e sua manutenção pode aumentar o risco de hipoglicemia sem um benefício substancial no controle da HbA1c. A lipohipertrofia, por sua vez, é uma complicação comum da insulinoterapia, resultante da má rotação dos locais de aplicação, que pode prejudicar a absorção da insulina e contribuir para a descompensação glicêmica. O tratamento do DM2 exige uma abordagem individualizada, considerando a HbA1c alvo, comorbidades e risco de hipoglicemia. A intensificação da insulinoterapia, muitas vezes com NPH noturna ou basal, é um passo comum. A avaliação contínua da medicação oral e a educação do paciente sobre técnicas de aplicação de insulina e rodízio de locais são fundamentais para otimizar o controle e minimizar complicações.
Sulfonilureias devem ser consideradas para suspensão em pacientes com DM2 que apresentam falência de células beta, evidenciada por controle glicêmico inadequado apesar da terapia máxima com agentes orais e início ou intensificação da insulinoterapia, para evitar hipoglicemia sem benefício adicional.
A insulina NPH é uma insulina de ação intermediária, frequentemente utilizada no Diabetes tipo 2 para fornecer cobertura basal, controlando a glicemia de jejum e entre as refeições, sendo administrada uma ou duas vezes ao dia, geralmente à noite.
Lipohipertrofia é o acúmulo de tecido adiposo no local de injeção de insulina devido à má rotação dos sítios. Isso pode prejudicar a absorção da insulina, levando a flutuações glicêmicas e descontrole do diabetes, mesmo com doses adequadas.
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