Diabetes Tipo 2: Ajuste da Terapia com Insulina e Gliclazida

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 64 anos de idade, diabética, em uso de metformina 850 mg/dia de liberação lenta e gliclazida 120 mg/dia, iniciou há um mês 20Ul de insulina NPH, ao deitar. Negou intercorrências desde a última consulta. Ao exame clínico, presença de nódulos subcutâneos indolores em região do abdome e presença de dermatite ocre em membros inferiores. Ao verificar os exames laboratoriais de controle, foi constatado Hemoglobina glicada (HbA1c): 9,4%. Diante do quadro clínico atual, pode-se afirmar que:

Alternativas

  1. A) Está indicada dose de insulina NPH pela manhã, com o objetivo de otimizar o controle glicêmico e reduzir HbA1c para < 7,0%.
  2. B) A paciente apresenta sinais de hipersensibilidade à insulina, devendo ser solicitada aferição da glicemia capilar de madrugada (3 horas da manhã.
  3. C) A introdução de insulina deve ser acompanhada de suspensão da gliclazida, dada a falência endócrina do pâncreas.
  4. D) Não está havendo rodízio dos locais de aplicação da insulina, que em associação ao tempo de introdução de NPH justificam os níveis de HbA1c.

Pérola Clínica

DM2 descompensado com insulina → suspender sulfonilureia (gliclazida) por falência de célula beta e risco de hipoglicemia.

Resumo-Chave

Em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 e controle glicêmico inadequado, especialmente com HbA1c elevada e em uso de insulina, a manutenção de sulfonilureias como a gliclazida pode ser desnecessária ou até prejudicial, aumentando o risco de hipoglicemia sem benefício adicional, devido à provável falência das células beta.

Contexto Educacional

Diabetes Mellitus tipo 2 é uma doença crônica progressiva caracterizada por resistência à insulina e disfunção das células beta pancreáticas. O controle glicêmico adequado é crucial para prevenir complicações micro e macrovasculares. A terapia farmacológica evolui de agentes orais para a inclusão de insulina à medida que a doença progride e a função das células beta diminui. A decisão de suspender sulfonilureias, como a gliclazida, ao iniciar ou intensificar a insulinoterapia em pacientes com DM2 descompensado, reflete a compreensão da fisiopatologia da doença. Com a falência progressiva das células beta, a capacidade das sulfonilureias de estimular a secreção endógena de insulina é limitada, e sua manutenção pode aumentar o risco de hipoglicemia sem um benefício substancial no controle da HbA1c. A lipohipertrofia, por sua vez, é uma complicação comum da insulinoterapia, resultante da má rotação dos locais de aplicação, que pode prejudicar a absorção da insulina e contribuir para a descompensação glicêmica. O tratamento do DM2 exige uma abordagem individualizada, considerando a HbA1c alvo, comorbidades e risco de hipoglicemia. A intensificação da insulinoterapia, muitas vezes com NPH noturna ou basal, é um passo comum. A avaliação contínua da medicação oral e a educação do paciente sobre técnicas de aplicação de insulina e rodízio de locais são fundamentais para otimizar o controle e minimizar complicações.

Perguntas Frequentes

Quando suspender sulfonilureias em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2?

Sulfonilureias devem ser consideradas para suspensão em pacientes com DM2 que apresentam falência de células beta, evidenciada por controle glicêmico inadequado apesar da terapia máxima com agentes orais e início ou intensificação da insulinoterapia, para evitar hipoglicemia sem benefício adicional.

Qual o papel da insulina NPH no tratamento do Diabetes tipo 2?

A insulina NPH é uma insulina de ação intermediária, frequentemente utilizada no Diabetes tipo 2 para fornecer cobertura basal, controlando a glicemia de jejum e entre as refeições, sendo administrada uma ou duas vezes ao dia, geralmente à noite.

O que é lipohipertrofia por insulina e como afeta o controle glicêmico?

Lipohipertrofia é o acúmulo de tecido adiposo no local de injeção de insulina devido à má rotação dos sítios. Isso pode prejudicar a absorção da insulina, levando a flutuações glicêmicas e descontrole do diabetes, mesmo com doses adequadas.

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