Desidratação em Cuidados Paliativos: Manejo da Crise Aguda

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024

Enunciado

Paciente vem a UBS para consulta de acompanhamento do quadro de metástase hepática e pulmonar, em acompanhamento paliativo, veio acompanhado pela filha, que relata que o pai não se alimenta nem aceita água há quatro dias, apresenta -se desidratado, desorientado e letárgico, com PA: 60x40 mmHg, FC: 110 BPM, sem febre, e saturando 93% em ar ambiente. A conduta imediata no caso acima deve ser:

Alternativas

  1. A) estimular dieta e hidratação oral domiciliar.
  2. B) manter jejum e orientar filha a manter o jejum.
  3. C) instituir hidratação venosa vigorosa.
  4. D) solicitar passagem de sonda naso gástrica para alimentação enteral.
  5. E) encaminhar ao Hospital de referência para executar gastrostomia.

Pérola Clínica

Paciente paliativo com desidratação grave e sinais de choque → hidratação venosa para conforto e reversão de sintomas agudos.

Resumo-Chave

Em pacientes em cuidados paliativos, a desidratação severa com sinais de choque (hipotensão, taquicardia, alteração do nível de consciência) é uma condição aguda que requer intervenção imediata. A hidratação venosa, mesmo que não prolongue a vida, pode aliviar sintomas como desorientação e letargia, melhorando o conforto do paciente.

Contexto Educacional

Em cuidados paliativos, o objetivo principal é o alívio do sofrimento e a melhoria da qualidade de vida. No entanto, isso não significa abster-se de intervenções que possam reverter condições agudas e melhorar o conforto do paciente. A desidratação é uma complicação comum em pacientes com câncer avançado, especialmente aqueles com metástases e dificuldade de ingesta. Quando um paciente paliativo apresenta desidratação grave, manifestada por hipotensão, taquicardia e alteração do nível de consciência (desorientação, letargia), ele está em uma situação de urgência que pode ser reversível e causar grande desconforto. Nesses casos, a hidratação venosa não é uma medida de prolongamento da vida, mas sim uma intervenção para aliviar sintomas agudos e melhorar o bem-estar imediato. A decisão de hidratar deve ser individualizada, considerando os desejos do paciente (se possível), o prognóstico e o potencial benefício versus o risco de sobrecarga hídrica. Em casos de choque hipovolêmico por desidratação, a hidratação venosa vigorosa é a conduta imediata para estabilizar o paciente e proporcionar conforto, enquanto medidas como alimentação oral, sonda nasogástrica ou gastrostomia são inadequadas para a situação aguda e não prioritárias no contexto de fim de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desidratação grave em um paciente em cuidados paliativos?

Sinais de desidratação grave incluem hipotensão, taquicardia, mucosas secas, turgor cutâneo diminuído, oligúria, e alterações do nível de consciência como desorientação e letargia.

Qual a importância da hidratação venosa em pacientes paliativos com desidratação aguda?

A hidratação venosa em desidratação aguda visa principalmente o conforto do paciente, aliviando sintomas como boca seca, confusão mental e fadiga, mesmo que não altere o curso da doença de base.

Quando a hidratação artificial não é indicada em cuidados paliativos?

A hidratação artificial pode não ser indicada quando o paciente está em fase muito avançada de terminalidade, com risco de sobrecarga hídrica, edema e aumento do desconforto, ou quando o paciente e família recusam a intervenção.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo