Dengue com Sinais de Alarme: Manejo Clínico e Hidratação

HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um jovem de 22 anos apresenta-se com febre, cefaleia, exantema maculopapular e artralgia. Relata ter viajado recentemente para uma área endêmica de dengue. Exames laboratoriais mostram trombocitopenia e teste NS1 positivo para dengue. Qual é a abordagem clínica mais adequada?

Alternativas

  1. A) Administração de fluidos IV, monitoramento de sinais de choque e suporte hemodinâmico.
  2. B) Prescrição de antibióticos de amplo espectro e isolamento do paciente.
  3. C) Administração de corticosteroides para controle da resposta inflamatória.
  4. D) Início imediato de antivirais específicos para dengue.

Pérola Clínica

Dengue com sinais de alarme (ex: trombocitopenia) → a base do tratamento é a reposição volêmica e o monitoramento hemodinâmico para prevenir o choque.

Resumo-Chave

O pilar do tratamento da dengue é o suporte hemodinâmico, pois a complicação mais temida é o extravasamento plasmático que leva ao choque. A hidratação intravenosa vigorosa e o monitoramento de sinais vitais são essenciais para evitar a evolução para formas graves, já que não há terapia antiviral específica.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose causada pelo vírus da dengue (DENV), transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, sendo um grande problema de saúde pública em áreas tropicais. A doença apresenta um espectro clínico variado, desde formas assintomáticas até quadros graves como a febre hemorrágica da dengue e a síndrome do choque da dengue, que possuem alta letalidade se não manejadas adequadamente. A fisiopatologia das formas graves está centrada no aumento da permeabilidade vascular, que leva ao extravasamento de plasma para o terceiro espaço. Isso resulta em hemoconcentração, hipovolemia e, consequentemente, choque. O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por testes como a detecção do antígeno NS1 (positivo nos primeiros dias de doença) ou sorologia (IgM/IgG). A presença de sinais de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos e plaquetopenia, indica risco aumentado de evolução para choque. O tratamento da dengue é de suporte, não havendo terapia antiviral específica. A pedra angular do manejo é a hidratação adequada, estratificada conforme a classificação de risco do paciente. Nos casos com sinais de alarme (Grupo C) ou choque (Grupo D), a reposição volêmica intravenosa agressiva e o monitoramento contínuo de parâmetros hemodinâmicos e laboratoriais (hematócrito) são cruciais para reverter a hipovolemia e prevenir a falência de múltiplos órgãos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme na dengue?

Os sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia ou irritabilidade, hipotensão postural e hepatomegalia dolorosa (>2cm do rebordo costal).

Qual a conduta inicial para um paciente com dengue e sinais de alarme?

A conduta inicial é a internação hospitalar para hidratação venosa imediata (fase de expansão rápida com solução salina ou Ringer lactato) e monitoramento rigoroso dos sinais vitais, diurese, hematócrito e contagem de plaquetas para detectar precocemente a evolução para o choque.

Como diferenciar a dengue de outras arboviroses como Zika e Chikungunya?

A dengue tipicamente cursa com febre alta, cefaleia retro-orbitária, mialgia intensa e pode ter manifestações hemorrágicas. Chikungunya é marcada por artralgia severa e incapacitante. Zika frequentemente apresenta febre mais baixa, exantema pruriginoso e conjuntivite não purulenta.

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