SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2019
Na unidade básica de saúde, os pais de uma criança de 15 meses de idade relatam que a mesma está com episódios de tosse há 24 horas. Ao exame clínico, o médico identifica sibilância, taquidispneia, uso de musculatura acessória, queda de saturação de oxigênio, irritabilidade. Os pais utilizaram em casa salbutamol inalado acoplado a espaçador, na dose de 2 a 4 jatos, de 4 em 4 horas. A criança não melhorou. Além de ofertar oxigenoterapia, que outra recomendação é obrigatória para o caso?
Criança com crise asmática moderada/grave (saturação ↓, uso de musculatura acessória, falha ao salbutamol) → Corticosteroide oral é obrigatório, além de O2 e broncodilatador.
Em uma crise asmática pediátrica com sinais de gravidade (taquidispneia, uso de musculatura acessória, queda de saturação) e falha à broncodilatação inicial com salbutamol, a administração de corticosteroide sistêmico (oral) é uma medida terapêutica obrigatória para reduzir a inflamação das vias aéreas.
A crise aguda de asma em crianças é uma condição respiratória comum que requer avaliação rápida e tratamento eficaz. A identificação dos sinais de gravidade é crucial para determinar a conduta terapêutica. Sinais como taquidispneia, uso de musculatura acessória, sibilância, queda da saturação de oxigênio e irritabilidade indicam uma crise moderada a grave, que não respondeu à broncodilatação inicial com salbutamol. O manejo inicial de uma crise asmática inclui a administração de oxigenoterapia para manter a saturação acima de 92-94% e broncodilatadores de curta ação (beta-2 agonistas como salbutamol) por via inalatória. No entanto, em crises moderadas a graves, a adição de corticosteroides sistêmicos (oral ou intravenoso) é uma medida obrigatória e fundamental. Os corticosteroides agem reduzindo a inflamação subjacente das vias aéreas, que é a principal causa da obstrução e dos sintomas. Para residentes, é essencial compreender que o tratamento da crise asmática vai além da broncodilatação. A administração precoce de corticosteroide sistêmico é um pilar do tratamento, prevenindo a progressão da doença e melhorando o prognóstico. O brometo de ipratrópio pode ser adicionado em crises mais graves, mas o corticoide tem um papel central na modulação da resposta inflamatória.
Sinais de gravidade incluem taquidispneia, uso de musculatura acessória (tiragem intercostal, subcostal, batimento de asa nasal), sibilância intensa ou ausência de sibilos (silêncio torácico), queda da saturação de oxigênio (<92-94%), irritabilidade ou letargia e dificuldade para falar ou mamar.
O corticosteroide oral é obrigatório porque atua reduzindo a inflamação das vias aéreas, que é um componente chave da asma. Ele diminui o edema da mucosa brônquica, a produção de muco e a hiper-responsividade brônquica, prevenindo a progressão da crise e reduzindo a necessidade de hospitalização.
A radiografia de tórax não é rotineiramente indicada em crises asmáticas. Ela deve ser considerada apenas se houver suspeita de complicações como pneumonia, pneumotórax, atelectasia ou corpo estranho, ou se o paciente não responder ao tratamento inicial.
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