Crise Asmática Grave Pediátrica: Manejo no PS

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Adriely, 5 anos, com antecedente de asma, porém sem acompanhamento ou uso de medicação regular, é trazida ao pronto-socorro infantil pela equipe da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), local em que foi prestada assistência inicial. Sua mãe refere quadro de tosse e cansaço para respirar há 1 dia. Não há histórico de febre, coriza ou outros sinais e sintomas. Ao exame inicial na UPA, a paciente encontrava-se em regular estado geral, pálida, com fala entrecortada, taquicárdica e taquidispnéica. Ausculta pulmonar diminuída globalmente, com presença de retração de fúrcula, frequência respiratória de 24 irpm e saturação de oxigênio de 90% em ar ambiente.Realizada sequência de salbutamol inalatório (3 doses com intervalo de 20 minutos), duas doses de brometo de ipratróprio inalatório e prednisolona via oral. Como não houve resposta total do quadro, a paciente foi transferida ao Hospital.Agora, após chegada ao pronto-socorro, a paciente encontra-se com melhora parcial do estado geral, da taquidispnéia e da retração de fúrcula, ausculta pulmonar com sibilos difusos bilateralmente, frequência respiratória de 28 irpm e saturação de oxigênio de 92% em ar ambiente.Considerando as recomendações vigentes, assinale a alternativa que apresenta a conduta indicada nesse momento do atendimento.

Alternativas

  1. A) Repetir sequência de salbutamol inalatório (3 doses a cada 20 minutos).
  2. B) Iniciar sulfato de magnésio endovenoso na dose de 25 a 75 mg/Kg.
  3. C) Iniciar terbutalina endovenosa contínua na dose de 0,1 mcg/Kg/minuto.
  4. D) Indicar sequência rápida de intubação e intubação orotraqueal imediata.
  5. E) Manter salbutamol inalatório a cada 4 horas e prednisolona via oral na dose de 2 mg/Kg/dia.

Pérola Clínica

Crise asmática grave sem resposta total ao tratamento inicial → repetir sequência de salbutamol inalatório é a próxima etapa.

Resumo-Chave

Em crises asmáticas graves, a ausência de resposta total ao tratamento inicial com broncodilatadores e corticosteroides sistêmicos não significa falha, mas sim a necessidade de intensificar a terapia. A repetição da sequência de salbutamol inalatório é uma conduta padrão antes de escalar para terapias mais invasivas ou de segunda linha, como sulfato de magnésio ou terbutalina IV, especialmente se houver melhora parcial.

Contexto Educacional

A asma é uma das doenças crônicas mais comuns na infância, e as crises asmáticas representam uma causa frequente de atendimento em pronto-socorros pediátricos. O manejo adequado da crise asmática grave é crucial para prevenir complicações e reduzir a morbimortalidade. A avaliação da gravidade da crise é o primeiro passo, baseando-se em parâmetros clínicos como frequência respiratória, cardíaca, nível de consciência, uso de musculatura acessória e saturação de oxigênio. A fisiopatologia da crise asmática envolve broncoconstrição, inflamação e hipersecreção de muco, levando à obstrução das vias aéreas. O tratamento visa reverter esses mecanismos. Os beta-2 agonistas de curta ação, como o salbutamol, são a base do tratamento para a broncoconstrição, enquanto os corticosteroides sistêmicos atuam na inflamação. O brometo de ipratrópio, um anticolinérgico, pode ser adicionado para potencializar a broncodilatação. No pronto-socorro, a conduta inicial para uma crise grave inclui oxigenoterapia, salbutamol inalatório em sequência (3 doses a cada 20 minutos) e corticosteroide sistêmico. Se não houver resposta total, a repetição da sequência de salbutamol é a próxima etapa lógica e eficaz, antes de considerar terapias de resgate como sulfato de magnésio ou terbutalina endovenosa. A decisão de intubar é extrema e reservada para casos de falência respiratória iminente, após esgotar as outras opções terapêuticas.

Perguntas Frequentes

Quando considerar uma crise asmática como grave em crianças?

Uma crise asmática é considerada grave em crianças quando há taquipneia, taquicardia, fala entrecortada, uso de musculatura acessória (retrações), sibilos difusos ou ausência de sibilos (sinal de mau prognóstico), e saturação de oxigênio abaixo de 92-94% em ar ambiente. A resposta parcial ao tratamento inicial também indica gravidade.

Qual a sequência de tratamento inicial para uma crise asmática grave em crianças?

O tratamento inicial para crise asmática grave inclui a administração de oxigênio para manter saturação >92%, sequência de salbutamol inalatório (3 doses a cada 20 minutos), brometo de ipratrópio inalatório (geralmente nas primeiras horas) e corticosteroides sistêmicos (prednisolona oral ou metilprednisolona IV) para reduzir a inflamação.

Quando são indicados sulfato de magnésio ou terbutalina endovenosa em crises asmáticas?

Sulfato de magnésio endovenoso e terbutalina endovenosa contínua são terapias de segunda linha, indicadas para crises asmáticas graves que não respondem adequadamente ao tratamento inicial otimizado com broncodilatadores inalatórios e corticosteroides sistêmicos. A intubação orotraqueal é reservada para casos de falência respiratória iminente.

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