CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2015
Um paciente masculino de 18 anos está com dispneia, sibilância e tosse seca cerca de uma vez ao dia. Acorda duas vezes por semana com falta de ar de madrugada. Nessas ocasiões, utiliza beta-2-agonista de ação curta, inalado com melhora dos sintomas. Após arrumar sua despensa, evoluiu com os mesmos sintomas, mas não responde ao seu medicamento habitual e resolve procurar o pronto-socorro mais próximo. Considerando que os dados de história e exame físico são compatíveis com o diagnóstico de asma, assinale qual tratamento aceitável mediante à gravidade da crise:
Crise asmática grave com exaustão/cianose → IOT com sedação (midazolam, quetamina) e bloqueio neuromuscular (succinilcolina).
Em exacerbações graves de asma refratárias ao tratamento inicial, a intubação orotraqueal é uma medida de suporte vital. A escolha dos agentes sedativos e bloqueadores neuromusculares visa minimizar broncoespasmo e otimizar as condições para a ventilação mecânica.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que pode levar a exacerbações agudas, conhecidas como crises asmáticas. A identificação precoce da gravidade da crise é crucial para um manejo adequado e para prevenir desfechos adversos. Crises graves, caracterizadas por dispneia intensa, sibilância, tosse, uso de musculatura acessória e, em casos extremos, cianose e exaustão, exigem intervenção imediata. A fisiopatologia da crise asmática envolve broncoespasmo, edema da mucosa e hipersecreção de muco, resultando em obstrução das vias aéreas. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico, e a avaliação da gravidade guia o tratamento. Pacientes com sinais de exaustão, cianose ou que não respondem à terapia inicial devem ser considerados para intubação orotraqueal e ventilação mecânica. O tratamento inicial de uma crise asmática inclui broncodilatadores de curta ação (beta-2-agonistas) e corticosteroides sistêmicos. Em casos graves, o sulfato de magnésio intravenoso pode ser adicionado. A intubação orotraqueal é uma medida de resgate para pacientes com falência respiratória iminente, e a escolha dos agentes para sedação e bloqueio neuromuscular deve considerar seus efeitos nas vias aéreas, preferindo-se aqueles com menor potencial broncoconstritor ou com propriedades broncodilatadoras, como a quetamina.
Sinais de crise asmática grave que podem indicar intubação incluem cianose, sudorese profusa, exaustão respiratória, alteração do nível de consciência e falha em responder à terapia broncodilatadora e corticosteroide. A presença de acidose respiratória progressiva também é um alerta.
Para sedação, midazolam e quetamina são frequentemente utilizados, sendo a quetamina vantajosa por suas propriedades broncodilatadoras. Para bloqueio neuromuscular, a succinilcolina é uma opção para intubação de sequência rápida, embora o rocurônio também possa ser considerado.
O sulfato de magnésio é reservado para crises asmáticas moderadas a graves que não respondem adequadamente à terapia inicial com broncodilatadores e corticosteroides, ou em pacientes com risco de vida. Sua eficácia em crises leves não é bem estabelecida como terapia inicial.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo