Crise de Asma na UBS: Manejo Inicial e Estabilização

São Leopoldo Mandic - Faculdade de Medicina (SP) — Prova 2025

Enunciado

Uma mulher de 40 anos, com histórico de asma, chega à UBS apresentando falta de ar intensa e uso de musculatura acessória para respirar. Ela utiliza broncodilatadores de resgate, mas relata que não obteve alívio com as doses administradas nas últimas horas. A saturação de oxigênio está em 89%. Qual é a conduta mais adequada para o manejo inicial dessa paciente na Atenção Primária?

Alternativas

  1. A) Administrar uma dose extra de broncodilatador inalatório e solicitar que a paciente aguarde para ver se há melhora dos sintomas antes de qualquer outra intervenção.
  2. B) Encaminhar imediatamente ao hospital mais próximo, pois a crise asmática grave não deve ser tratada em unidades de Atenção Primária devido à necessidade de suporte avançado.
  3. C) Aplicar oxigênio suplementar e administrar corticoide sistêmico, além de broncodilatador de ação curta, enquanto monitora os sinais vitais da paciente.
  4. D) Aconselhar repouso e hidratação, pois a crise pode se resolver espontaneamente com tempo e descanso, sem necessidade de intervenções farmacológicas.

Pérola Clínica

Crise asmática grave na UBS → O₂ para Sat > 90% + SABA (beta-2 agonista) nebulizado + Corticoide sistêmico (oral/IM) imediato.

Resumo-Chave

No manejo da crise asmática grave na Atenção Primária, a conduta é tridimensional e imediata: oxigenoterapia para corrigir a hipoxemia, broncodilatador de curta ação para aliviar o broncoespasmo e corticoide sistêmico para controlar a inflamação subjacente. A estabilização inicial não pode ser adiada.

Contexto Educacional

A exacerbação asmática é uma emergência médica comum na Atenção Primária à Saúde (APS). O reconhecimento rápido da gravidade e o início imediato do tratamento são cruciais para prevenir a progressão para insuficiência respiratória. Uma crise é considerada grave quando o paciente apresenta dispneia em repouso, incapacidade de completar frases, uso de musculatura acessória, agitação e hipoxemia (SpO2 < 90%). A fisiopatologia da crise envolve três componentes: broncoespasmo, edema da mucosa das vias aéreas e hipersecreção de muco. O manejo inicial deve abordar todos esses aspectos. A hipoxemia deve ser corrigida com oxigênio suplementar, idealmente por máscara ou cateter nasal, com o objetivo de manter a saturação de oxigênio acima de 90% (93-95% segundo as diretrizes GINA). O tratamento farmacológico se baseia em broncodilatadores de curta ação (SABA), como o salbutamol, administrados por via inalatória (nebulização ou spray com espaçador), e corticosteroides sistêmicos (ex: prednisona oral ou hidrocortisona/metilprednisolona parenteral). Os corticoides são vitais para controlar a inflamação subjacente e devem ser administrados o mais cedo possível, pois seu efeito máximo leva algumas horas para se estabelecer. Mesmo que o paciente necessite de transferência para um hospital, a estabilização inicial na UBS é fundamental e não deve ser postergada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de gravidade em uma crise asmática?

Sinais de gravidade incluem dispneia intensa que impede a fala, uso de musculatura acessória, tórax silencioso (ausência de sibilos), sonolência ou confusão mental, cianose e saturação de oxigênio < 90%. A incapacidade de completar frases é um sinal clínico clássico.

Qual a dose e via de administração do corticoide sistêmico na crise de asma?

Em adultos, a dose recomendada é de Prednisona 40-60 mg via oral ou Hidrocortisona 200-400 mg via endovenosa. Na UBS, a via oral (prednisona) ou intramuscular (hidrocortisona/dexametasona) são opções viáveis se o acesso venoso for difícil.

Quando devo transferir um paciente com crise de asma da UBS para o hospital?

A transferência para um serviço de emergência hospitalar é indicada para todos os pacientes com crise grave, aqueles com resposta inadequada ao tratamento inicial na primeira hora, ou pacientes com fatores de risco para asma fatal (ex: intubação prévia, internação recente).

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