Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021
Uma paciente com oito dias de vida tem quadro de vômitos e inapetência há dois dias. Ao exame físico, desidratação moderada e genitália atípica, com hipertrofia de clitóris. Exames laboratoriais: Na 130 mEq/L; K 6,3 mEq/L; cloro 99 mEq/L; glicemia 35; pH 7,25; pCO2 30 mmHg; bic 14; e BE –7.Nesse caso hipotético, não se deve realizar
Crise adrenal neonatal (HAC): corrigir hipoglicemia, hipercalemia e desidratação; NÃO bicarbonato de rotina.
A crise adrenal em neonatos, frequentemente por Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC), cursa com hipoglicemia, hipercalemia e acidose metabólica. O manejo inicial foca na correção da hipoglicemia (push de glicose), hipercalemia (monitoramento ECG) e desidratação/hiponatremia (soro fisiológico e hidrocortisona). A reposição de bicarbonato não é a prioridade e pode ser prejudicial em alguns contextos, não devendo ser realizada de rotina.
A crise adrenal neonatal é uma emergência pediátrica grave, frequentemente associada à Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC), especialmente a forma perdedora de sal. O diagnóstico precoce é vital, e a suspeita deve surgir em neonatos com vômitos, inapetência, desidratação, hipoglicemia, hiponatremia e hipercalemia, especialmente se houver genitália atípica. A HAC é uma condição genética que afeta a síntese de hormônios adrenais, levando à deficiência de cortisol e aldosterona. O manejo da crise adrenal exige uma abordagem rápida e sistemática. As prioridades incluem a correção da hipoglicemia com push de glicose, a estabilização da hipercalemia com monitoramento eletrocardiográfico e, se necessário, gluconato de cálcio, e a reposição volêmica agressiva com soro fisiológico 0,9% para corrigir a desidratação e a hiponatremia. A administração de hidrocortisona é fundamental para repor o cortisol deficiente e reverter o quadro de insuficiência adrenal. É crucial evitar a reposição de bicarbonato de sódio de rotina para a acidose metabólica, pois a correção da causa subjacente e dos distúrbios eletrolíticos geralmente resolve a acidose. O bicarbonato pode ter efeitos adversos e não é a terapia primária. O prognóstico da crise adrenal é bom com tratamento adequado e precoce, mas a falta de reconhecimento e manejo pode levar a complicações graves e óbito. O residente deve estar apto a identificar e tratar prontamente essa condição.
Os sinais e sintomas de uma crise adrenal em neonatos com HAC incluem vômitos, inapetência, letargia, desidratação, hipotensão, hipoglicemia, hiponatremia e hipercalemia. A genitália atípica (hipertrofia de clitóris em meninas ou hiperpigmentação escrotal em meninos) é um achado importante que sugere HAC.
Para a hipoglicemia, deve-se realizar um push de glicose intravenosa (ex: 2 mL/kg de glicose a 10%) seguido de infusão contínua. Para a hipercalemia, é crucial monitorar o eletrocardiograma (ECG) para detectar alterações que indiquem risco de arritmias. O tratamento pode incluir gluconato de cálcio para estabilizar a membrana cardíaca, insulina com glicose para deslocar o potássio para o intracelular, e beta-agonistas.
A acidose metabólica na crise adrenal é frequentemente corrigida com a reposição volêmica adequada (cloreto de sódio 0,9%), hidrocortisona (que restaura a função adrenal e melhora o metabolismo) e correção da hipercalemia. A administração de bicarbonato pode levar a uma rápida mudança do pH, piorar a hipocalcemia e não aborda a causa subjacente da acidose, além de ter riscos como sobrecarga de volume e hipernatremia. Portanto, não é a primeira linha de tratamento.
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