UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024
Mulher de 35 anos, com desejo de gestar, apresenta sangramento menstrual aumentado, ciclos regulares, fluxo com duração de 8 dias com saída de coágulos e dismenorreia há 5 anos. AP: nuligesta, uso regular de preservativo masculino. Ao exame físico abdominal e especular: normais. Toque vaginal: útero móvel, aumentado de tamanho e superfície lobulada. US transvaginal: útero anteversofletido, volume 140 cm³, ecotextura miometrial heterogênea com dois nódulos hipoecogênicos, bem delimitados, um localizado em parede corporal anterior de 2,5 cm (FIGO tipo 5) e outro em parede fúndica anterior de 4 cm (FIGO tipo 6), eco endometrial de 7,0 mm e anexos sem alterações. A conduta deve ser:
Miomas FIGO 5 e 6 (intramural/subseroso) com sintomas controláveis e desejo de gestar → manejo conservador (AINEs) é opção inicial.
Em pacientes com miomas uterinos intramurais (FIGO 5) ou subserosos (FIGO 6) que não distorcem a cavidade endometrial, e que apresentam sintomas como dismenorreia e sangramento controláveis, a conduta inicial pode ser conservadora, utilizando anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) para alívio sintomático. A miomectomia é reservada para casos de sintomas refratários ou quando há impacto comprovado na fertilidade.
Miomas uterinos são tumores benignos comuns que afetam o útero, sendo uma das principais causas de sangramento uterino anormal e dismenorreia. A classificação FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia) categoriza os miomas de acordo com sua localização em relação ao miométrio e endométrio, o que é crucial para definir a conduta, especialmente em mulheres com desejo de gestar. Miomas intramurais (FIGO 3, 4, 5) e subserosos (FIGO 6, 7) geralmente não distorcem a cavidade endometrial e, portanto, têm menor impacto direto na fertilidade em comparação com os miomas submucosos (FIGO 0, 1, 2). Nesses casos, se os sintomas como sangramento e dor forem controláveis com tratamento clínico, como anti-inflamatórios não hormonais (AINEs), a conduta conservadora pode ser a mais adequada, permitindo que a paciente tente engravidar. A miomectomia, seja histeroscópica para miomas submucosos ou laparoscópica/laparotômica para outros tipos, é reservada para situações de sintomas refratários ao tratamento clínico, miomas de crescimento rápido, ou quando há forte evidência de que o mioma está causando infertilidade ou complicações obstétricas. O manejo deve ser individualizado, considerando o desejo de gestar, a idade da paciente, o tamanho e a localização dos miomas, e a gravidade dos sintomas.
O tratamento conservador é apropriado para miomas que não distorcem a cavidade endometrial (como os tipos FIGO 5 e 6), quando os sintomas como sangramento e dismenorreia são controláveis com medicação (ex: AINEs) e não há evidência clara de infertilidade causada diretamente pelo mioma.
Os AINEs são utilizados para aliviar a dismenorreia e reduzir o sangramento menstrual excessivo associado aos miomas, atuando na inibição da síntese de prostaglandinas, que estão envolvidas na dor e na vasodilatação uterina.
Não necessariamente. Miomas intramurais e subserosos geralmente não distorcem a cavidade endometrial, sendo menos prováveis de causar infertilidade direta do que os miomas submucosos. A decisão de intervir cirurgicamente nesses casos é baseada na presença de sintomas refratários ou infertilidade inexplicada.
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