Colecistite Aguda Complicada: Drenagem Percutânea e ATB

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2023

Enunciado

Um homem de 70 anos que se recupera de um infarto do miocárdio, e tem histórico de asma, chega ao hospital com sintomas e sinais sugestivos de colecistite aguda. Sua ultrassonografia abdominal mostra uma vesícula biliar distendida com cálculos biliares e possível obstrução do ducto cístico. 24 horas depois, ele apresenta calafrios, taquicardia e hipotensão, além de estar anictérico e desidratado ++/4+. O exame clínico do abdome revela dor difusa à palpação. Qual é a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Deve ser feita com urgência uma tomografia computadorizada do abdome e se houver evidência de empiema da vesícula biliar, iniciar imediatamente antibióticos endovenosos e realizar drenagem percutânea da vesícula biliar;
  2. B) Deve ser feita com urgência uma ultrassonografia do abdome e se houver evidência de empiema da vesícula biliar, realizar colecistectomia laparoscópica;
  3. C) Deve ser feita com urgência uma colangiopancreatografia retrógrada endoscópica, iniciar imediatamente antibióticos endovenosos e observar a evolução clínica;
  4. D) Deve ser planejada uma colecistectomia eletiva porlaparotomia e iniciarimediatamente antibióticos endovenosos.

Pérola Clínica

Colecistite aguda + sinais de sepse/alto risco → TC abdome + ATB IV + drenagem percutânea (se empiema).

Resumo-Chave

O paciente apresenta colecistite aguda com sinais de complicação (calafrios, taquicardia, hipotensão) e é de alto risco (pós-infarto, asma). Nesses casos, a colecistectomia de urgência pode ser arriscada. A drenagem percutânea da vesícula biliar, associada a antibióticos, é a melhor conduta inicial para estabilização.

Contexto Educacional

A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo. Em pacientes de alto risco, como idosos, cardiopatas ou com comorbidades pulmonares, a evolução para complicações como empiema (pus na vesícula), gangrena ou perfuração é mais comum e mais grave. O reconhecimento precoce de sinais de sepse (calafrios, taquicardia, hipotensão) é crucial para um manejo adequado. Neste caso, o paciente apresenta colecistite aguda com sinais de resposta inflamatória sistêmica (calafrios, taquicardia, hipotensão), indicando uma complicação ou progressão da doença. Sua idade avançada e histórico de infarto do miocárdio e asma o classificam como paciente de alto risco para cirurgia. A ultrassonografia já confirmou a colecistite, mas a TC é necessária para avaliar a extensão da complicação, como a presença de empiema. A conduta mais adequada para pacientes de alto risco com colecistite aguda complicada é a estabilização clínica. Isso inclui iniciar imediatamente antibióticos endovenosos para cobrir patógenos biliares e realizar uma drenagem percutânea da vesícula biliar, que é um procedimento menos invasivo que a colecistectomia. Essa abordagem permite controlar a infecção e a inflamação, melhorando as condições do paciente para uma eventual colecistectomia eletiva, se necessária, ou até mesmo evitando-a em alguns casos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de complicação em um quadro de colecistite aguda?

Sinais de complicação incluem febre alta, calafrios, taquicardia, hipotensão (sugestivos de sepse), dor abdominal difusa, massa palpável no quadrante superior direito, leucocitose acentuada e alterações nos exames de imagem que indicam empiema, gangrena ou perfuração da vesícula biliar.

Por que a drenagem percutânea é preferível à cirurgia em pacientes de alto risco com colecistite complicada?

A drenagem percutânea é um procedimento minimamente invasivo que permite a descompressão da vesícula biliar e o controle da infecção, reduzindo o risco cirúrgico em pacientes com comorbidades graves (como pós-infarto, asma, idade avançada) ou com sinais de sepse. A colecistectomia pode ser realizada posteriormente, de forma eletiva, ou evitada em alguns casos.

Qual o papel da tomografia computadorizada (TC) no diagnóstico da colecistite aguda complicada?

A TC é útil para avaliar a extensão da inflamação, identificar complicações como empiema, gangrena, perfuração ou abscesso pericolecístico, e para guiar a drenagem percutânea. Embora a ultrassonografia seja o exame inicial, a TC oferece uma visão mais detalhada em casos complicados ou de difícil diagnóstico.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo