HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2025
Mulher, de 68 anos de idade, foi admitida na unidade de emergência com confusão mental, descrita pelos familiares como letargia e desorientação espacial. Tem cirrose hepática por álcool, diagnosticada há 3 meses durante investigação ambulatorial de ascite. Faz uso contínuo de furosemida 80mg/dia e espironolactona 12,5mg/dia. Está abstêmia há 5 anos. Ao exame, apresenta frequência cardíaca de 80bpm, pressão arterial de 130x80mmHg e saturação de oxigênio de 98% em ar ambiente. Está confusa em tempo e espaço, com presença de flapping. Também foram vistas aranhas vasculares em tórax e sinais de ascite leve. A paracentese guiada por ultrassonografia, pareada a exames séricos, realizada na admissão, evidenciou: (vide imagem). Foi iniciado tratamento com lactulose e medidas para corrigir a hipocalemia, com boa resposta clínica. Além de iniciar o uso de lactulose e ajustar a dose de furosemida e espironolactona, qual é a medicação que deve ser acrescida à prescrição da paciente no momento da alta?
Cirrose descompensada + ascite → considerar profilaxia sangramento varizes com beta-bloqueador não seletivo (Carvedilol).
Pacientes com cirrose e ascite (sinal de descompensação) têm alto risco de sangramento por varizes esofágicas. Mesmo após tratar um episódio de encefalopatia hepática, a profilaxia primária ou secundária de sangramento varicoso com beta-bloqueadores não seletivos como o carvedilol é fundamental na alta, conforme a avaliação endoscópica.
A cirrose hepática é uma doença crônica progressiva que leva à fibrose e desorganização da arquitetura hepática, resultando em hipertensão portal e insuficiência hepatocelular. A descompensação, manifestada por ascite, encefalopatia hepática, sangramento varicoso ou icterícia, marca um estágio avançado e de pior prognóstico. O manejo adequado na alta é crucial para prevenir novas descompensações e melhorar a sobrevida dos pacientes. A encefalopatia hepática é uma disfunção cerebral causada pela insuficiência hepática e/ou shunts portossistêmicos, levando ao acúmulo de neurotoxinas como a amônia. O diagnóstico é clínico, com tratamento baseado em lactulose e, em casos refratários ou para profilaxia secundária, rifaximina. A ascite, por sua vez, é um sinal de hipertensão portal e requer manejo diurético, com espironolactona e furosemida. Além do tratamento da encefalopatia e ascite, a profilaxia do sangramento por varizes esofágicas é um pilar fundamental no manejo da cirrose descompensada. Pacientes com varizes de médio/grande calibre ou com alto risco de sangramento devem receber beta-bloqueadores não seletivos (como carvedilol ou propranolol) ou serem submetidos à ligadura elástica endoscópica. A escolha da medicação na alta deve considerar todas as complicações da cirrose e as diretrizes de manejo.
O manejo inclui otimização diurética para ascite, tratamento e profilaxia da encefalopatia hepática (lactulose, rifaximina) e, crucialmente, profilaxia de sangramento por varizes esofágicas com beta-bloqueadores não seletivos ou ligadura elástica endoscópica, conforme indicação.
O carvedilol é um beta-bloqueador não seletivo que reduz a pressão portal, diminuindo o risco de sangramento por varizes esofágicas, uma complicação grave da hipertensão portal em pacientes com cirrose descompensada e varizes de risco.
A rifaximina é usada para profilaxia secundária da encefalopatia hepática, atuando na redução da produção de amônia. O carvedilol é para profilaxia primária ou secundária de sangramento por varizes esofágicas, atuando na redução da pressão portal.
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