Manejo da Cirrose Hepática: Encefalopatia e Eletrólitos

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2026

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 48 anos de idade, com diagnóstico de cirrose hepática etanólica. Etilista há 20 anos, com consumo de meio litro de aguardente por dia. Procura o seu consultório para manejo clínico. Com relação ao quadro clinico descrito acima e sobre manejo da cirrose hepática e seus sintomas, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) A hipocalemia deve ser evitada, pois eleva o risco de encefalopatia hepática.
  2. B) Os pacientes com quadros de câimbras podem se beneficiar do uso de vitamina A.
  3. C) A correção da hiponatremia deve ser considerada devido à redução na mortalidade.
  4. D) A transfusão de plasma nesses pacientes tende a melhorar e aumentar a geração de trombina.

Pérola Clínica

Cirrose hepática → Hipocalemia = Aumenta risco de encefalopatia hepática (alcalose metabólica e amônia).

Resumo-Chave

A hipocalemia em pacientes cirróticos pode precipitar ou agravar a encefalopatia hepática, pois a alcalose metabólica resultante aumenta a conversão de amônia em amônio, que atravessa a barreira hematoencefálica. A correção dos distúrbios eletrolíticos é fundamental no manejo da cirrose.

Contexto Educacional

A cirrose hepática é uma condição crônica e progressiva que resulta em fibrose e nodularidade do fígado, levando a disfunção hepática e hipertensão portal. O manejo clínico é complexo e visa prevenir e tratar suas diversas complicações, como ascite, hemorragia varicosa, peritonite bacteriana espontânea e encefalopatia hepática. A cirrose etanólica, especificamente, é causada pelo consumo excessivo e prolongado de álcool. A encefalopatia hepática é uma síndrome neuropsiquiátrica que ocorre devido à incapacidade do fígado de desintoxicar substâncias neurotóxicas, principalmente a amônia. Distúrbios eletrolíticos, como a hipocalemia, desempenham um papel crucial na precipitação ou agravamento da encefalopatia. A hipocalemia induz uma alcalose metabólica, que favorece a conversão de amônio (NH4+) em amônia (NH3), uma forma não ionizada que atravessa facilmente a barreira hematoencefálica, exercendo toxicidade cerebral. Portanto, a manutenção do equilíbrio eletrolítico, especialmente a prevenção da hipocalemia, é uma medida importante no manejo da cirrose para reduzir o risco de encefalopatia hepática. Outras opções de tratamento para a encefalopatia incluem lactulose e rifaximina. É fundamental uma abordagem multidisciplinar para otimizar o cuidado desses pacientes.

Perguntas Frequentes

Como a hipocalemia contribui para a encefalopatia hepática?

A hipocalemia leva à alcalose metabólica, que aumenta a produção renal de amônia e sua difusão para o cérebro, além de potencializar a toxicidade da amônia.

Qual o papel da hiponatremia na cirrose e como deve ser corrigida?

A hiponatremia dilucional é comum na cirrose e geralmente não deve ser corrigida rapidamente, pois pode causar mielinólise pontina. O manejo foca na restrição hídrica.

A transfusão de plasma é indicada para melhorar a coagulopatia na cirrose?

Não rotineiramente. A coagulopatia na cirrose é complexa e o TP/INR não reflete o risco de sangramento. Transfusão de plasma é reservada para sangramentos ativos ou procedimentos invasivos com alto risco.

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