Choque Séptico Pediátrico: Protocolo de Reposição Volêmica

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024

Enunciado

Menino de 9 meses, com 8 kg, esteve internado por 24 horas na UPA por vômitos, distensão abdominal e fezes sanguinolentas. Ultrassonografia e radiografia de abdômen confirmaram invaginação intestinal. Foi transferido para um hospital terciário para realização de laparotomia, encontrando-se, à chegada, pálido, prostrado, hipoativo, febril (38º C), com frequência cardíaca de 160 bpm, olhos encovados, pulsos finos e enchimento capilar > 3 segundos. O abdômen estava muito distendido, com a sonda nasogástrica drenando secreção borrácea. Além de coletar amostras para culturas e iniciar o uso de antibióticos de amplo espectro, qual a conduta mais adequada e recomendada pelo Consenso de Sepse 2020?

Alternativas

  1. A) Evitar bolo de cristaloides e optar por instalar soro de manutenção (100 ml/kg) com NaCl a 0,9%.
  2. B) Evitar bolo de cristaloides e optar por instalar soro de manutenção acrescido de perdas (150 ml/kg) com NaCl a 0,9%.
  3. C) Fazer bolo de 20 ml/kg de NaCl a 0,9% ou de Ringer-lactato para correr em 20 minutos, podendo ser repetido para melhorar a perfusão.
  4. D) Em função do quadro arrastado e das perdas para o terceiro espaço, fazer bolo com albumi- na a 5% (20 ml/kg), instalando, a seguir, soro de manutenção (100 ml/kg) com NaCl a 0,9%.

Pérola Clínica

Choque séptico pediátrico → bolo de cristaloide 20 mL/kg em 20 min, repetível, junto com ATB amplo espectro.

Resumo-Chave

Em crianças com choque séptico, a prioridade é a rápida restauração da perfusão tecidual. O Consenso de Sepse 2020 recomenda a administração de bolus de cristaloides (NaCl 0,9% ou Ringer-lactato) de 20 mL/kg em 20 minutos, que pode ser repetido, enquanto se inicia antibioticoterapia de amplo espectro após coleta de culturas.

Contexto Educacional

A sepse e o choque séptico são condições de alta morbimortalidade em pediatria, exigindo reconhecimento e tratamento imediatos. Em crianças, a progressão para choque pode ser rápida, e os sinais de má perfusão podem ser sutis. A invaginação intestinal, uma emergência cirúrgica comum em lactentes, pode complicar com isquemia e perfuração intestinal, levando à sepse e choque, como no caso descrito. O diagnóstico de choque séptico em crianças baseia-se em critérios clínicos de disfunção orgânica e sinais de má perfusão, como taquicardia, pulsos finos, tempo de enchimento capilar prolongado e alteração do estado mental. A febre, embora comum, pode estar ausente em casos graves. A presença de distensão abdominal e secreção borrácea em sonda nasogástrica sugere obstrução e possível necrose intestinal, agravando o quadro séptico. O tratamento do choque séptico pediátrico, conforme o Consenso de Sepse 2020, prioriza a estabilização hemodinâmica e o controle da infecção. A reposição volêmica agressiva com bolus de cristaloides (20 mL/kg em 5-20 minutos, repetível) é a pedra angular para restaurar a perfusão. Simultaneamente, a coleta de culturas e o início precoce de antibióticos de amplo espectro são cruciais. A albumina pode ser considerada em casos refratários, mas os cristaloides são a primeira linha. Evitar bolus de cristaloides em choque séptico é um erro grave que pode levar à falência orgânica e morte.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque em um lactente?

Sinais de choque em lactentes incluem taquicardia, pulsos finos ou débeis, tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos), pele marmórea ou fria, letargia, irritabilidade, hipotensão (sinal tardio) e oligúria. A febre pode estar presente ou ausente.

Qual a conduta inicial para reposição volêmica no choque séptico pediátrico?

A conduta inicial para reposição volêmica no choque séptico pediátrico é a administração de bolus de 20 mL/kg de cristaloides isotônicos (NaCl 0,9% ou Ringer-lactato) em 5 a 20 minutos, podendo ser repetido até que os sinais de perfusão melhorem, com reavaliação constante.

Por que a invaginação intestinal pode levar à sepse?

A invaginação intestinal pode levar à sepse devido à isquemia e necrose da parede intestinal, resultando em translocação bacteriana para a corrente sanguínea. A distensão abdominal e fezes sanguinolentas são sinais de alerta para essa complicação grave.

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