Choque Séptico: Antibioticoterapia Empírica e Manejo Inicial

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2021

Enunciado

Com relação ao manuseio do choque séptico, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A introdução de antibióticos deve ser precoce, o mais rápido possível, com a meta de infundi-lo em até seis horas do início do quadro clínico.
  2. B) A obtenção de culturas (hemoculturas, urocultura, cultura de focos infeciosos) é imprescindível, sendo tolerado o tempo de até 3 horas para a conclusão da coleta antes da introdução dos antibióticos.
  3. C) O atraso na infusão da antibioticoterapia está associado a maior mortalidade e, por isso, deve ser iniciado em menos de 6 horas da identificação do choque séptico.
  4. D) O esquema inicial de antibióticos deve ser empírico, de amplo espectro, contemplando os principais germes causadores do foco suspeito e/ou hipóteses diagnósticas.
  5. E) Para cobertura da maior parte das infecções bacterianas comunitárias, recomenda-se prescrever a vancomicina e o meropenem seguidos do de-escalonamento, quando houver o resultado de culturas.

Pérola Clínica

Choque séptico → ATB empírico, amplo espectro, cobrindo foco suspeito, iniciar o mais rápido possível após culturas.

Resumo-Chave

No choque séptico, a prioridade é a rápida administração de antibióticos. O esquema inicial deve ser empírico e de amplo espectro, direcionado aos patógenos mais prováveis do foco infeccioso suspeito, após a coleta de culturas, que não devem atrasar o início da terapia antimicrobiana.

Contexto Educacional

O choque séptico é uma condição de emergência médica com alta mortalidade, definida como sepse com hipotensão persistente que requer vasopressores para manter uma pressão arterial média ≥ 65 mmHg e lactato sérico > 2 mmol/L, apesar da ressuscitação volêmica adequada. A incidência global é alta e continua a ser uma das principais causas de morte em unidades de terapia intensiva. O reconhecimento precoce e a intervenção imediata são os pilares para melhorar os desfechos. A fisiopatologia envolve uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção, levando a disfunção orgânica. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios de sepse e evidência de disfunção orgânica. A pedra angular do tratamento é a ressuscitação volêmica (com cristaloides), o uso de vasopressores (noradrenalina como primeira escolha) e, crucialmente, a antibioticoterapia precoce e adequada. A conduta no choque séptico exige a administração de antibióticos de amplo espectro o mais rápido possível, idealmente dentro da primeira hora após o reconhecimento, e sempre após a coleta de culturas (hemoculturas e de outros focos suspeitos) que não devem atrasar o início da medicação. O esquema empírico deve ser guiado pelo foco suspeito, epidemiologia local e fatores de risco do paciente. Após a identificação do patógeno e sensibilidade, o de-escalonamento da antibioticoterapia é recomendado para reduzir a resistência e toxicidade. Para o residente, dominar essa sequência de ações é vital para salvar vidas.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da rapidez na administração de antibióticos no choque séptico?

A rapidez é crucial porque cada hora de atraso na administração de antibióticos eficazes em pacientes com choque séptico está associada a um aumento significativo da mortalidade. O objetivo é iniciar em até 1 hora após o reconhecimento.

Como escolher o esquema de antibióticos empíricos para choque séptico?

O esquema deve ser de amplo espectro, cobrindo os patógenos mais prováveis para o foco infeccioso suspeito e considerando padrões de resistência locais. Deve incluir cobertura para gram-positivos e gram-negativos, e, se houver suspeita, para anaeróbios ou fungos.

As culturas devem ser coletadas antes de iniciar os antibióticos no choque séptico?

Sim, as culturas (hemoculturas, urocultura, etc.) devem ser coletadas antes do início dos antibióticos, mas sem atrasar a administração da terapia antimicrobiana. A coleta não deve exceder 45 minutos a 1 hora.

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