Choque Séptico: Manejo Hemodinâmico e Vasopressores

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 62a, procura atendimento com disúria há uma semana e febre há três dias. Antecedente pessoal: diabete melito. Exame físico: FC= 108 bpm, FR= 24 irpm, PA= 72x50 mmHg, T= 37,2°C, oximetria de pulso (ar ambiente)= 95%; corada, desidratada ++/4+, pulsos regulares e simétricos; ausculta cardiopulmonar sem alterações; abdome normotenso, demonstra desconforto à palpação profunda de flanco esquerdo, sem sinais de peritonite; neurológico: sonolenta, responde a estímulos verbais, sem déficits neurológicos focais. Glicemia capilar= 128 mg/dL. Solicitada a dosagem de lactato sérico e a coleta de duas hemoculturas por sítios diferentes de punção. Prescritas ceftriaxona intravenosa e expansão volêmica com solução salina isotônica (30ml/kg= 2.100ml). Após a infusão de 800 ml em 40 minutos, apresenta melhora da sonolência e FC= 94 bpm, FR= 22 irpm, PA= 80x52 mmHg.A CONDUTA EM RELAÇÃO AO MANEJO HEMODINÂMICO É:

Alternativas

  1. A) Prescrever hidrocortisona.
  2. B) Manter apenas a infusão de soro fisiológico.
  3. C) Prescrever dobutamina e suspender a expansão volêmica.
  4. D) Prescrever noradrenalina e manter a expansão volêmica.

Pérola Clínica

Choque séptico refratário a fluidos → Noradrenalina + manter expansão volêmica.

Resumo-Chave

Em choque séptico, se a hipotensão persiste após a infusão inicial de cristaloides (30ml/kg), deve-se iniciar noradrenalina como vasopressor de primeira linha, enquanto se continua a avaliação e, se necessário, a expansão volêmica.

Contexto Educacional

O choque séptico é uma condição grave de disfunção orgânica com risco de morte, causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. É caracterizado por hipotensão persistente que requer vasopressores para manter uma pressão arterial média ≥ 65 mmHg e lactato sérico > 2 mmol/L, apesar da ressuscitação volêmica adequada. A identificação precoce e o manejo agressivo são cruciais para a sobrevida do paciente. A fisiopatologia envolve vasodilatação periférica, aumento da permeabilidade capilar e disfunção miocárdica, levando à má perfusão tecidual. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de sepse e na presença de hipotensão refratária a fluidos. A suspeita deve ser alta em pacientes com infecção e sinais de disfunção orgânica, como alteração do nível de consciência, taquicardia, taquipneia e oligúria. O tratamento inicial inclui a administração de antibióticos de amplo espectro nas primeiras horas, controle do foco infeccioso e ressuscitação hemodinâmica. Esta última envolve a infusão de cristaloides (30 mL/kg nas primeiras 3 horas) e, se a hipotensão persistir, o início de vasopressores, sendo a noradrenalina a droga de primeira escolha. O monitoramento contínuo da pressão arterial, frequência cardíaca, débito urinário e lactato sérico é fundamental para guiar o tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque séptico?

Sinais de choque séptico incluem hipotensão persistente (PAS < 90 mmHg ou PAM < 65 mmHg) apesar de ressuscitação volêmica adequada, associada a sinais de disfunção orgânica e infecção.

Quando iniciar vasopressores no choque séptico?

Vasopressores devem ser iniciados se a hipotensão persistir após a administração inicial de 30 mL/kg de cristaloides, com a noradrenalina sendo o vasopressor de primeira escolha.

Qual a importância da expansão volêmica inicial na sepse?

A expansão volêmica inicial visa restaurar a perfusão tecidual e a pressão arterial, corrigindo a hipovolemia relativa e absoluta frequentemente presente na sepse.

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