Choque Hemorrágico no Trauma: Conduta Imediata

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2025

Enunciado

Paciente, sexo masculino, 32 anos de idade, é admitido no pronto-socorro, encaminhado pelo SAMU, vítima de dois ferimentos por projétil de arma de fogo (FPAF). Durante a avaliação primária, apresentava: • via aérea pérvia com colar cervical e prancha rígida; • murmúrio vesicular presente bilateralmente, saturação de oxigênio de 92% com máscara de alto fluxo; • FC: 130 bpm, PA: 85×65 mmHg, FAST: líquido livre na cavidade abdominal; • escala de coma de Glasgow 12, pupilas isocóricas e fotorreagentes; • ferimento por arma de fogo transfixante de abdome e ferimento de entrada em região inguinal direita, conforme imagem a seguir.Com base nesse caso clínico, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a conduta inicial recomendada.

Alternativas

  1. A) Reposição volêmica com duas bolsas de sangue O negativo.
  2. B) Reposição volêmica com 1000 mL de solução fisiológica aquecida, solicitar tipagem sanguínea e reserva de concentrado de hemácias e plasma.
  3. C) Reposição volêmica com 1000 mL de solução fisiológica aquecida e iniciar droga vasoativa até transfusão de sangue tipo específico.
  4. D) Reposição volêmica com 1000 mL de rínger lactato e iniciar droga vasoativa até transfusão de sangue tipo específico.
  5. E) Punção de dois acessos venosos calibrosos seguido de reposição volêmica com 2000 mL de rínger lactato e tipagem sanguínea.

Pérola Clínica

Choque hipovolêmico grave por trauma penetrante com FAST positivo → Transfusão imediata de sangue O negativo.

Resumo-Chave

Em pacientes com choque hipovolêmico grave por trauma penetrante e evidência de sangramento ativo (FAST positivo), a prioridade é a reposição volêmica com hemoderivados, preferencialmente sangue O negativo não tipado, para reverter o choque e estabilizar o paciente.

Contexto Educacional

O trauma abdominal por projétil de arma de fogo é uma emergência cirúrgica que frequentemente resulta em choque hipovolêmico devido a sangramento interno. A avaliação inicial segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a estabilização da via aérea, respiração e circulação. A hipotensão (PA 85x65 mmHg) e taquicardia (FC 130 bpm) são sinais claros de choque, e o FAST positivo confirma a presença de sangramento intra-abdominal. A conduta inicial no choque hemorrágico grave é a reposição volêmica agressiva. Em cenários de sangramento maciço e instabilidade hemodinâmica, a transfusão de hemoderivados é prioritária sobre os cristaloides. O sangue O negativo é a escolha para transfusão de emergência quando não há tempo para tipagem e prova cruzada, devido ao seu perfil de doador universal de hemácias. O objetivo é restaurar a perfusão tecidual e a capacidade de transporte de oxigênio. Enquanto se prepara para a transfusão de sangue tipo-específico, o uso de sangue O negativo pode ser vital. A administração excessiva de cristaloides pode levar à acidose, hipotermia e coagulopatia dilucional, piorando o prognóstico. O paciente com Glasgow 12 indica alteração neurológica, que pode ser secundária à hipoperfusão cerebral.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque hipovolêmico grave no trauma?

Os sinais incluem taquicardia, hipotensão, taquipneia, alteração do nível de consciência (Glasgow < 15), pele fria e pegajosa, e diminuição do débito urinário, indicando perfusão tecidual inadequada.

Por que o sangue O negativo é usado em emergências?

O sangue O negativo é considerado 'doador universal' para hemácias, pois não possui antígenos A, B ou Rh em sua superfície, minimizando o risco de reações transfusionais em situações de emergência sem tipagem sanguínea.

Qual a importância do FAST no trauma abdominal?

O Focused Assessment with Sonography for Trauma (FAST) é um exame rápido e não invasivo que detecta líquido livre na cavidade abdominal (indicativo de sangramento) ou pericárdica, auxiliando na decisão de laparotomia exploradora em pacientes instáveis.

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