Choque no Trauma: Prioridade de Acessos Venosos Calibrosos

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2015

Enunciado

Você está de plantão em um Hospital de Trauma de sua cidade e recebe uma jovem de 18 anos, vítima de atropelamento há aproximadamente 40 minutos. Os níveis pressóricos dessa jovem são de 60 x 40 mmHg, encontra-se inconsciente e apresenta um hematoma compreendendo o hipocôndrio esquerdo. Após você realizar a intubação e ventilação, qual deve ser a prioridade na sua conduta seguinte?

Alternativas

  1. A) Encaminhar a jovem ao centro cirúrgico para realização de laparotomia.
  2. B) Encaminhar a jovem para o setor de imagem para realizar radiografia, ultrassonografia e tomografia, a fim de localizar a lesão hepática ou esplênica.
  3. C) Obter dois acessos venosos periféricos e calibrosos.
  4. D) Realizar uma lavagem peritoneal para a confirmação de lesão de víscera intra- abdominal.
  5. E) Obter um acesso venoso central (Veia Jugular Interna).

Pérola Clínica

Paciente politraumatizado em choque (PA 60x40 mmHg) após intubação → prioridade é C (Circulação): obter 2 acessos venosos calibrosos para reposição volêmica.

Resumo-Chave

Em um paciente vítima de trauma com instabilidade hemodinâmica grave (choque), após assegurar via aérea e ventilação (A e B do ATLS), a prioridade absoluta é o controle da circulação (C). Isso envolve a obtenção imediata de acessos venosos calibrosos para rápida infusão de fluidos e, se necessário, hemoderivados, visando reverter o choque.

Contexto Educacional

No atendimento ao paciente politraumatizado, a abordagem segue o protocolo do Advanced Trauma Life Support (ATLS), que prioriza a avaliação e o manejo sequencial das vias aéreas (A), respiração (B), circulação (C), avaliação neurológica (D) e exposição (E). Em um cenário de trauma grave com instabilidade hemodinâmica, como o choque hipovolêmico, a prioridade máxima após garantir a via aérea e a ventilação é restaurar a circulação. A paciente em questão apresenta sinais claros de choque (hipotensão grave) e suspeita de hemorragia interna (hematoma em hipocôndrio esquerdo, sugerindo lesão esplênica). Após a intubação e ventilação, a próxima etapa crítica é a obtenção de dois acessos venosos periféricos de grosso calibre. Isso permite a infusão rápida de cristaloides e, se necessário, hemoderivados, para reverter o choque e estabilizar o paciente. Priorizar exames de imagem ou procedimentos diagnósticos invasivos antes da estabilização hemodinâmica pode atrasar o tratamento vital e piorar o prognóstico. A lavagem peritoneal diagnóstica (LPD) e o FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) são ferramentas úteis, mas a reposição volêmica é a medida inicial mais urgente para salvar a vida do paciente em choque. O acesso venoso central, embora importante, geralmente não permite infusão tão rápida quanto dois acessos periféricos calibrosos no contexto de choque hipovolêmico agudo.

Perguntas Frequentes

Por que acessos venosos periféricos calibrosos são preferíveis aos centrais no choque hipovolêmico?

Acessos venosos periféricos calibrosos (ex: 14G ou 16G) permitem uma infusão de volume muito mais rápida do que a maioria dos acessos centrais. Em situações de choque hipovolêmico grave, a velocidade da infusão é crucial para a ressuscitação, tornando os acessos periféricos a primeira escolha.

Qual a sequência de prioridades no atendimento ao trauma (ATLS)?

A sequência de prioridades no ATLS é: A (Airway e proteção da coluna cervical), B (Breathing e ventilação), C (Circulation e controle de hemorragias), D (Disability - avaliação neurológica) e E (Exposure e controle do ambiente). A estabilização da circulação é a próxima etapa crucial após garantir via aérea e respiração.

Quando a laparotomia exploradora é indicada em trauma abdominal?

A laparotomia exploradora de emergência é indicada em pacientes com trauma abdominal e instabilidade hemodinâmica persistente, peritonite, evisceração, sangramento gastrointestinal ativo, ou evidência de lesão de víscera oca ou lesão vascular maior que não pode ser controlada por métodos menos invasivos.

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