HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2023
Sobre o manejo das complicações hiperglicêmicas agudas. Assinale a melhor alternativa:
CAD: Hidratação vigorosa com cristaloides + Insulina IV (inibe cetogênese e corrige acidose) + Reposição eletrolítica (especialmente potássio).
No manejo da Cetoacidose Diabética (CAD), a expansão volêmica com cristaloides é crucial devido à desidratação severa por diurese osmótica. A insulina endovenosa não apenas controla a glicemia, mas é fundamental para inibir a cetogênese e, consequentemente, corrigir a acidose metabólica, sendo iniciada após avaliação dos níveis de potássio.
A cetoacidose diabética (CAD) e o estado hiperosmolar hiperglicêmico (EHH) são as principais complicações agudas do diabetes, ambas caracterizadas por hiperglicemia grave, mas com diferenças fisiopatológicas e clínicas importantes. O manejo adequado e rápido dessas condições é crucial para evitar morbimortalidade significativa, sendo um tema de alta relevância para a prática médica e para provas de residência. O tratamento da CAD é multifacetado e deve ser iniciado prontamente. A expansão volêmica com solução cristaloide (geralmente soro fisiológico 0,9%) é a primeira e mais importante medida, visando corrigir a desidratação severa causada pela diurese osmótica. Em seguida, a insulinoterapia endovenosa contínua é iniciada para inibir a cetogênese, reduzir a glicemia e corrigir a acidose metabólica. A monitorização e reposição de eletrólitos, especialmente potássio, são fundamentais, pois a insulina pode levar a uma rápida queda do potássio sérico. A abordagem terapêutica deve ser individualizada, considerando a gravidade do quadro, a idade do paciente e as comorbidades. A resolução da CAD é definida pela normalização do pH, bicarbonato e fechamento do ânion gap, e não apenas pela glicemia. O EHH, por sua vez, prioriza a hidratação ainda mais vigorosa e a correção lenta da glicemia para evitar complicações neurológicas, com menor ênfase na correção da acidose. Para residentes, é essencial compreender as nuances de cada complicação e as prioridades de tratamento para um manejo eficaz e seguro.
A hidratação é a primeira e mais importante etapa no manejo da CAD. A diurese osmótica causada pela hiperglicemia leva a uma depleção volêmica significativa, que precisa ser corrigida com cristaloides para restaurar a perfusão tecidual e auxiliar na redução da glicemia.
Além de reduzir a glicemia, a insulina é crucial para inibir a lipólise e a cetogênese, revertendo a produção de corpos cetônicos e, consequentemente, corrigindo a acidose metabólica. Ela também promove a captação de potássio pelas células.
A reposição de potássio é fundamental e deve ser iniciada quando os níveis séricos estiverem normais ou baixos, geralmente antes ou concomitantemente com a insulina. Se o potássio estiver muito baixo (<3.3 mEq/L), a insulina deve ser postergada até que o potássio seja parcialmente corrigido para evitar arritmias graves.
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