Cetoacidose Diabética: Manejo Inicial e Tratamento Completo

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2023

Enunciado

Sobre o manejo das complicações hiperglicêmicas agudas. Assinale a melhor alternativa:

Alternativas

  1. A) O manejo inicial da Cetoacidose Diabética deve ser feito com insulina endovenosa até controle da glicemia capilar, com objetivo de glicemia menor que 200mg/dl.
  2. B) Na Cetoacidose Diabética deve-se proceder reposição do deficit calculado de bicarbonato, na forma de bicarbonato 8,4% endovenoso. A infusão de insulina endovenosa deve iniciar após avaliação da dosagem sérica de potássio.
  3. C) Na Cetoacidose Diabética a expansão volêmica com solução cristaloide é parte importante do manejo inicial, dada a depleção do espaço extracelular gerada pela diurese osmótica. A infusão de insulina visa a inibição da cetogênese e correção da acidose, além do controle glicêmico.
  4. D) No Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico o controle de glicemia com insulina é suficiente para manejo das complicações.
  5. E) No Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico e na Cetoacidose Diabética deve-se priorizar o início da infusão endovenosa de insulina, independente dos demais parâmetros.

Pérola Clínica

CAD: Hidratação vigorosa com cristaloides + Insulina IV (inibe cetogênese e corrige acidose) + Reposição eletrolítica (especialmente potássio).

Resumo-Chave

No manejo da Cetoacidose Diabética (CAD), a expansão volêmica com cristaloides é crucial devido à desidratação severa por diurese osmótica. A insulina endovenosa não apenas controla a glicemia, mas é fundamental para inibir a cetogênese e, consequentemente, corrigir a acidose metabólica, sendo iniciada após avaliação dos níveis de potássio.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) e o estado hiperosmolar hiperglicêmico (EHH) são as principais complicações agudas do diabetes, ambas caracterizadas por hiperglicemia grave, mas com diferenças fisiopatológicas e clínicas importantes. O manejo adequado e rápido dessas condições é crucial para evitar morbimortalidade significativa, sendo um tema de alta relevância para a prática médica e para provas de residência. O tratamento da CAD é multifacetado e deve ser iniciado prontamente. A expansão volêmica com solução cristaloide (geralmente soro fisiológico 0,9%) é a primeira e mais importante medida, visando corrigir a desidratação severa causada pela diurese osmótica. Em seguida, a insulinoterapia endovenosa contínua é iniciada para inibir a cetogênese, reduzir a glicemia e corrigir a acidose metabólica. A monitorização e reposição de eletrólitos, especialmente potássio, são fundamentais, pois a insulina pode levar a uma rápida queda do potássio sérico. A abordagem terapêutica deve ser individualizada, considerando a gravidade do quadro, a idade do paciente e as comorbidades. A resolução da CAD é definida pela normalização do pH, bicarbonato e fechamento do ânion gap, e não apenas pela glicemia. O EHH, por sua vez, prioriza a hidratação ainda mais vigorosa e a correção lenta da glicemia para evitar complicações neurológicas, com menor ênfase na correção da acidose. Para residentes, é essencial compreender as nuances de cada complicação e as prioridades de tratamento para um manejo eficaz e seguro.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da hidratação na cetoacidose diabética?

A hidratação é a primeira e mais importante etapa no manejo da CAD. A diurese osmótica causada pela hiperglicemia leva a uma depleção volêmica significativa, que precisa ser corrigida com cristaloides para restaurar a perfusão tecidual e auxiliar na redução da glicemia.

Como a insulina age no tratamento da CAD além do controle glicêmico?

Além de reduzir a glicemia, a insulina é crucial para inibir a lipólise e a cetogênese, revertendo a produção de corpos cetônicos e, consequentemente, corrigindo a acidose metabólica. Ela também promove a captação de potássio pelas células.

Quando e como deve ser feita a reposição de potássio na CAD?

A reposição de potássio é fundamental e deve ser iniciada quando os níveis séricos estiverem normais ou baixos, geralmente antes ou concomitantemente com a insulina. Se o potássio estiver muito baixo (<3.3 mEq/L), a insulina deve ser postergada até que o potássio seja parcialmente corrigido para evitar arritmias graves.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo