Cetoacidose Diabética: Condução e Transição de Insulina

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 28 anos encaminhado ao Pronto Socorro por queixa de dor abdominal intensa e agitação e ansiedade. Diabético insulino-dependente desde os 18 anos de idade. Taquipneia e hálito semelhante a odor de fruta. Laboratoriais coletados à admissão mostram parcial de urina com presença de cetonúria, gasometria arterial coletada em ar ambiente com pH 7,08, HCO3 11mmol/L, PCO2 18mmHg e PaO2 90mmHg, glicemia 260mg/dL. Potássio sérico 3,0mEq/L e sódio sérico 132mEq/L.Assinale a alternativa correta com relação a condução do caso.

Alternativas

  1. A) A introdução de insulina de ação longa deve ser iniciada tão logo paciente esteja se alimentando.
  2. B) Deve ser realizada reposição de potássio apenas caso calemia reduzir a valores inferiores a 3,0 mEq/L.
  3. C) Deve ser prontamente iniciado antibioticoterapia pois a taquipneia se deve a provável quadro de broncopneumonia.
  4. D) Devido a intensidade da acidose a administração de bicarbonato parenteral é indicada e melhora desfechos nestes casos.
  5. E) Primeira medida a ser tomada é a pronta administração de insulina humana regular em bomba infusora contínua, além de expansão volêmica.

Pérola Clínica

Cetoacidose diabética: após estabilização e alimentação, iniciar insulina de ação longa para transição da infusão contínua.

Resumo-Chave

A cetoacidose diabética (CAD) requer manejo agressivo com expansão volêmica, infusão contínua de insulina regular e reposição de eletrólitos. A transição para o regime subcutâneo de insulina, incluindo a insulina de ação longa, deve ser iniciada quando o paciente estiver clinicamente estável, com a acidose resolvida e capaz de se alimentar, garantindo a sobreposição com a insulina IV para evitar rebote da CAD.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação grave do diabetes mellitus, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. É uma emergência médica que exige reconhecimento rápido e tratamento agressivo. Residentes devem estar familiarizados com os critérios diagnósticos e o protocolo de manejo, que inclui a correção da desidratação, da hiperglicemia e da acidose, além da reposição de eletrólitos. A compreensão da fisiopatologia é fundamental para guiar as intervenções terapêuticas. O manejo inicial da CAD foca na expansão volêmica para corrigir a desidratação e melhorar a perfusão tecidual, seguida pela infusão contínua de insulina regular intravenosa para suprimir a cetogênese e reduzir a glicemia. A reposição de potássio é crítica, pois a insulina desloca o potássio para o intracelular, e a acidose pode mascarar uma depleção corporal total de potássio. A administração de bicarbonato é geralmente reservada para casos de acidose muito grave (pH < 6,9) devido a potenciais efeitos adversos. A transição da insulinoterapia intravenosa para o regime subcutâneo é um passo crucial na recuperação da CAD. A insulina de ação longa deve ser iniciada quando o paciente estiver estável, com a acidose resolvida e tolerando a alimentação oral. É imperativo que a infusão de insulina intravenosa seja mantida por 1 a 2 horas após a primeira dose de insulina subcutânea para garantir níveis adequados de insulina e prevenir o retorno da cetoacidose. O planejamento da alta e a educação do paciente sobre o manejo do diabetes são essenciais para evitar recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do tratamento inicial da cetoacidose diabética?

Os pilares do tratamento inicial da cetoacidose diabética são: reposição volêmica agressiva com soro fisiológico, insulinoterapia contínua com insulina regular intravenosa e reposição de eletrólitos, principalmente potássio, conforme os níveis séricos.

Quando a reposição de potássio deve ser iniciada na cetoacidose diabética?

A reposição de potássio deve ser iniciada se o potássio sérico for menor que 5,3 mEq/L, e é crucial iniciá-la antes ou concomitantemente com a insulina se o potássio for menor que 3,5 mEq/L, para prevenir hipocalemia grave induzida pela insulina.

Qual o papel da insulina de ação longa no manejo da cetoacidose diabética?

A insulina de ação longa é introduzida para estabelecer um regime basal de insulina quando a cetoacidose está resolvida (pH > 7,3, HCO3 > 15, glicemia < 200 mg/dL) e o paciente está apto a se alimentar. Deve haver uma sobreposição de 1-2 horas entre a insulina intravenosa e a subcutânea para evitar o rebote da cetoacidose.

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