UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023
Lactente de 4 meses, previamente hígido, foi transferido da Emergência para a Enfermaria com diagnóstico de bronquiolite viral aguda por vírus sincicial respiratório. O exame físico realizado quando da admissão na Enfermaria revelou frequência respiratória de 42 mpm, tiragem subcostal leve e esparsos sibilos polifônicos expiratórios bilaterais. O oxímetro de pulso mostrava saturação de 95% em cateter nasal com fluxo de oxigênio a 1 l/min. À radiografia de tórax, foram constatadas hiperinsuflação bilateral e opacidades intersticiais peri-hilares. Na prescrição da Emergência, constavam dieta por sonda nasogástrica, oxigênio por cateter nasal a 1 l/min e aspiração nasal, se necessário. Que modificação na prescrição médica deve ser realizada na Enfermaria?
Bronquiolite: lactente com SatO2 >90% e FR <60, sem tiragem grave, pode ter dieta oral liberada.
Em lactentes com bronquiolite viral aguda, a liberação da dieta por via oral é segura e preferível quando o desconforto respiratório é leve a moderado, a frequência respiratória está abaixo de 60 mpm e a saturação de oxigênio é adequada (>90-92%), mesmo com oxigenoterapia suplementar. A alimentação por sonda nasogástrica é reservada para casos de maior desconforto respiratório ou risco de aspiração.
A bronquiolite viral aguda é uma infecção respiratória comum em lactentes, principalmente causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que leva à inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas. É uma das principais causas de hospitalização em crianças menores de um ano. O manejo é predominantemente de suporte, visando manter a oxigenação e hidratação adequadas. O diagnóstico é clínico, baseado em sintomas como tosse, coriza, dispneia, sibilância e crepitações. A avaliação da gravidade do desconforto respiratório e da saturação de oxigênio guia as decisões terapêuticas. A radiografia de tórax geralmente mostra hiperinsuflação e infiltrados perihilares, mas não é essencial para o diagnóstico de rotina. A fisiopatologia envolve edema e necrose do epitélio brônquico, com acúmulo de muco e debris celulares, resultando em obstrução das vias aéreas. O tratamento inclui oxigenoterapia para hipoxemia, hidratação e nutrição. A liberação da dieta por via oral é um marco importante na recuperação, indicando melhora do quadro respiratório e redução do risco de aspiração. É crucial que residentes saibam identificar o momento adequado para essa transição, evitando a manutenção desnecessária de sondas e promovendo a alta hospitalar. A monitorização contínua da frequência respiratória, saturação e esforço respiratório é fundamental.
A dieta oral pode ser liberada quando o lactente apresenta melhora do desconforto respiratório, frequência respiratória abaixo de 60 mpm, saturação de oxigênio acima de 90-92% em ar ambiente ou com baixo fluxo de O2, e ausência de sinais de fadiga ou risco de aspiração.
A oxigenoterapia é indicada quando a saturação de oxigênio cai abaixo de 90-92%. O objetivo é manter a saturação acima desses níveis, utilizando o menor fluxo de oxigênio possível, geralmente por cateter nasal.
Não, o salbutamol não é recomendado de rotina para todos os casos de bronquiolite viral aguda, pois a maioria dos lactentes não responde a broncodilatadores. Seu uso pode ser considerado em casos selecionados com histórico de atopia ou resposta prévia, mas não é a primeira linha de tratamento.
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