Bronquiolite Viral Aguda: Manejo e Recomendações Atuais

Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2022

Enunciado

Considerando o manejo da bronquiolite viral aguda, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Os broncodilatadores (salbutamol/albuterol) melhoram a saturação de oxigênio e, consequentemente, diminuem o tempo de internação.
  2. B) Apesar de alguns poucos estudos comprovarem alguma melhora com a utilização de corticoides, até o presente momento a AAP não recomenda o seu uso rotineiro na bronquiolite aguda. O uso de antileucotrienos (montelukast) também não é recomendado.
  3. C) O uso de rivabarina via inalatória resulta em redução no tempo de ventilação, diminuição no tempo de hospitalização e melhora clínica, portanto o seu uso deve ser rotineiro.
  4. D) A administração de surfactante exógeno pode ser indicada, pois tem mostrado melhora na oxigenação e na diminuição do tempo de ventilação mecânica, pois há diminuição de pneumócitos 2 na bronquite.

Pérola Clínica

Bronquiolite viral aguda: broncodilatadores, corticoides e antileucotrienos não são recomendados rotineiramente pela AAP.

Resumo-Chave

A bronquiolite viral aguda é uma doença autolimitada, e a maioria das intervenções farmacológicas, como broncodilatadores, corticoides e ribavirina, não demonstrou benefício significativo na redução do tempo de internação ou melhora clínica, conforme as diretrizes atuais. O tratamento é primariamente de suporte.

Contexto Educacional

A bronquiolite viral aguda é a causa mais comum de infecção do trato respiratório inferior em lactentes, especialmente nos primeiros dois anos de vida, com pico de incidência entre 3 e 6 meses. É uma condição autolimitada, geralmente causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), e representa uma importante causa de hospitalização pediátrica. O diagnóstico é clínico, baseado em sintomas como rinorreia, tosse, taquipneia e sibilância, precedidos por um quadro de infecção de vias aéreas superiores. A fisiopatologia envolve inflamação e necrose do epitélio bronquiolar, levando a edema, produção de muco e obstrução das pequenas vias aéreas, resultando em aprisionamento de ar e atelectasias. O manejo da bronquiolite é primariamente de suporte. As diretrizes atuais, como as da Academia Americana de Pediatria (AAP), não recomendam o uso rotineiro de broncodilatadores (salbutamol), corticoides sistêmicos ou inalatórios, ribavirina ou surfactante exógeno, devido à falta de evidências de benefício clínico significativo. A oxigenoterapia é indicada para hipoxemia, e a hidratação e nutrição devem ser mantidas, com atenção à monitorização respiratória.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da bronquiolite viral aguda em lactentes?

Os principais sinais incluem taquipneia, sibilância, tosse, rinorreia e, em casos mais graves, tiragem intercostal e batimento de asas nasais. A febre pode estar presente, e a doença geralmente é precedida por sintomas de infecção de vias aéreas superiores.

Por que os broncodilatadores e corticoides não são recomendados rotineiramente na bronquiolite viral aguda?

Estudos demonstraram que broncodilatadores e corticoides não trazem benefício clínico significativo na maioria dos casos, não reduzindo o tempo de internação ou a necessidade de oxigenoterapia. O risco de efeitos adversos supera os potenciais benefícios para a maioria dos pacientes.

Qual é o tratamento de suporte essencial para a bronquiolite viral aguda?

O tratamento de suporte inclui hidratação adequada, aspiração de vias aéreas superiores para desobstrução, oxigenoterapia se saturação de oxigênio < 90-92%, e monitorização cuidadosa. Em casos graves, pode ser necessária ventilação mecânica ou suporte ventilatório não invasivo.

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