Bradicardia Sintomática: Manejo Inicial e Conduta Adequada

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Homem de 62 anos vai a uma unidade de pronto atendimento (UPA) referindo cansaço e tontura ao se levantar há 2 semanas. Nega outras queixas, comorbidades ou cirurgias prévias, assim como o uso de medicamentos. Ao exame físico, apresenta-se corado, hidratado, lúcido e orientado em tempo e espaço; pressão arterial de 120 x 70 mmHg; frequência cardíaca de 45 bpm; saturação de O2 de 96% em ar ambiente; ritmo cardíaco regular, sem turgência jugular; murmúrio vesicular fisiológico, sem ruídos acessórios; e enchimento capilar de 2 segundos. Diante disso, o médico solicita um eletrocardiograma de 12 derivações: A partir desse quadro clínico e da interpretação do eletrocardiograma, a conduta adequada consiste em

Alternativas

  1. A) conceder alta médica e encaminhar o paciente ao ambulatório especializado de cardiologia.
  2. B) monitorizar o paciente, solicitar marca-passo transcutâneo e aguardar avaliação do cardiologista.
  3. C) monitorizar o paciente, administrar atropina 1 mg (IV) e implantar marca-passo transcutâneo.
  4. D) monitorizar o paciente, administrar atropina 1 mg (IV) e iniciar uso de dopamina 5 mcg/kg/min.

Pérola Clínica

Bradicardia sintomática estável: monitorizar, considerar marca-passo transcutâneo e avaliação cardiológica.

Resumo-Chave

Em um paciente com bradicardia sintomática (cansaço, tontura) mas hemodinamicamente estável (PA normal, lúcido), a conduta inicial envolve monitorização e preparação para intervenções como marca-passo transcutâneo, enquanto se aguarda a avaliação especializada do cardiologista para definir a causa e o tratamento definitivo, como um marca-passo permanente.

Contexto Educacional

A bradicardia é definida como uma frequência cardíaca abaixo de 60 batimentos por minuto, mas sua relevância clínica depende da presença de sintomas e da estabilidade hemodinâmica do paciente. Sintomas como cansaço, tontura, síncope, dispneia ou dor torácica podem indicar que a bradicardia está comprometendo o débito cardíaco. A avaliação inicial deve sempre focar na identificação de sinais de instabilidade, que incluem hipotensão, alteração do estado mental, choque, dor torácica isquêmica ou insuficiência cardíaca aguda. O algoritmo de manejo da bradicardia do ACLS (Advanced Cardiovascular Life Support) diferencia claramente as condutas para pacientes estáveis e instáveis. Em pacientes com bradicardia sintomática, mas hemodinamicamente estáveis, a conduta consiste em monitorização, observação e investigação de causas reversíveis (ex: medicamentos, distúrbios eletrolíticos). A avaliação por um cardiologista é fundamental para determinar a etiologia e a necessidade de um tratamento definitivo, como a implantação de um marca-passo permanente. A preparação para intervenções como o marca-passo transcutâneo é prudente, caso a condição do paciente se deteriore. Para pacientes com bradicardia sintomática e instabilidade hemodinâmica, a intervenção é mais agressiva e imediata. A atropina intravenosa é a primeira linha de tratamento, seguida por marca-passo transcutâneo ou infusões de dopamina ou epinefrina, se a atropina for ineficaz ou contraindicada. É crucial reconhecer a gravidade da situação e agir rapidamente para restaurar o débito cardíaco e perfusão tecidual. A identificação e tratamento da causa subjacente são sempre parte integrante do manejo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em um paciente bradicárdico?

Sinais de instabilidade incluem hipotensão (PA sistólica < 90 mmHg), alteração aguda do nível de consciência, sinais de choque (pele fria, úmida, enchimento capilar prolongado), dor torácica isquêmica aguda ou insuficiência cardíaca aguda.

Quando o marca-passo transcutâneo é indicado na bradicardia?

O marca-passo transcutâneo é indicado para bradicardias sintomáticas que não respondem à atropina ou quando a atropina é contraindicada, especialmente em pacientes com instabilidade hemodinâmica. Pode ser usado como ponte até um marca-passo definitivo.

Qual a diferença entre o manejo da bradicardia estável e instável?

Na bradicardia estável, a conduta é monitorização, observação e investigação da causa, com avaliação cardiológica. Na bradicardia instável, a prioridade é a estabilização imediata com atropina, marca-passo transcutâneo ou infusões de dopamina/epinefrina, conforme o algoritmo ACLS.

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