MedEvo Simulado — Prova 2026
Beatriz, 29 anos, primigesta, evoluiu para parto vaginal espontâneo sem intercorrências, com nascimento de um concepto pesando 3.450g. O recém-nascido apresenta boa vitalidade e foi colocado em contato pele a pele com a mãe imediatamente. Passados cinco minutos do nascimento, a placenta ainda permanece na cavidade uterina, sem sinais evidentes de desprendimento, e a paciente mantém estabilidade hemodinâmica, sem sangramento vaginal aumentado. Considerando as melhores práticas para a redução da morbimortalidade materna, qual é a conduta mais adequada para o manejo deste período do parto?
Prevenção de HPP → 10 UI Ocitocina IM no 1º minuto + Tração controlada do cordão.
O manejo ativo do terceiro estágio, centrado na administração precoce de ocitocina, é a intervenção isolada mais eficaz para reduzir a incidência de hemorragia pós-parto.
A hemorragia pós-parto (HPP) continua sendo uma das principais causas de morte materna evitável no mundo. O terceiro período do parto, que vai do nascimento do feto até a expulsão da placenta, é o momento crítico para intervenção. As evidências científicas demonstram que o manejo ativo reduz o risco de HPP em cerca de 60%. A recomendação da OMS e do Ministério da Saúde é clara: a ocitocina deve ser administrada a todas as parturientes, independentemente do risco prévio. A técnica de tração controlada do cordão deve ser realizada por profissional treinado para evitar a inversão uterina, uma complicação rara, mas grave. O conhecimento desses protocolos é essencial para a prática obstétrica segura e para o sucesso em exames de residência.
A ocitocina é o uterotônico de primeira linha devido à sua alta eficácia em promover a contração uterina rítmica, essencial para o descolamento placentário e oclusão dos vasos uterinos (ligaduras vivas de Pinard). Comparada à ergometrina ou misoprostol, apresenta menos efeitos colaterais, como hipertensão, náuseas e vômitos, sendo segura para a maioria das pacientes.
O manejo ativo é composto por três pilares principais: 1) Administração de um uterotônico (preferencialmente 10 UI de ocitocina IM) logo após o nascimento do bebê; 2) Tração controlada do cordão umbilical com contra-pressão suprapúbica (manobra de Brandt-Andrews); 3) Massagem uterina após a dequitação para garantir o tônus.
No manejo ativo, considera-se retenção placentária se a dequitação não ocorrer em até 30 minutos. No manejo expectante (fisiológico), esse prazo pode se estender até 60 minutos. A conduta ativa reduz significativamente a necessidade de extração manual da placenta e o risco de transfusão sanguínea por hemorragia.
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