FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021
Menino de 8 anos com diagnóstico de asma persistente, atualmente em uso de corticosteróide inalatório em dose moderada. Nos últimos 2 meses, apresentou 3 crises com controle domiciliar, sendo utilizado broncodilatador de ação curta por 5 dias. Tem apresentado sintomas de tosse noturna 1 ou 2 vezes na semana e queixa-se de chiado e tosse durante aula de educação física na escola. Quanto ao tratamento deste paciente, assinale a alternativa mais adequada para o caso.
Asma não controlada com CI moderado → verificar técnica/gatilhos; se adequado, adicionar LABA.
Em crianças com asma persistente em uso de corticosteroide inalatório em dose moderada e sintomas não controlados, o primeiro passo é sempre reavaliar a técnica de administração e os fatores desencadeantes. Se o controle ainda for inadequado, a próxima etapa é associar um broncodilatador inalatório de longa duração (LABA).
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que afeta milhões de crianças globalmente, sendo uma das principais causas de morbidade pediátrica. O manejo adequado é crucial para garantir uma boa qualidade de vida, prevenir exacerbações e otimizar o desenvolvimento pulmonar. A asma persistente requer terapia de controle contínua, sendo os corticosteroides inalatórios (CI) a base do tratamento. Quando uma criança em uso de CI em dose moderada apresenta sintomas de asma não controlada, o primeiro passo é sempre uma revisão detalhada da adesão ao tratamento, da técnica de inalação e da identificação e eliminação de fatores desencadeantes ambientais. Muitos casos de aparente falha terapêutica são, na verdade, resultado de uso incorreto da medicação ou exposição contínua a gatilhos. A educação do paciente e da família é fundamental neste processo. Se, após a otimização dessas medidas, o controle da asma ainda for inadequado, o próximo passo no escalonamento terapêutico, conforme as diretrizes internacionais (como GINA), é a adição de um broncodilatador inalatório de longa duração (LABA) ao CI. Essa combinação demonstrou ser mais eficaz do que o aumento da dose do CI isoladamente para muitos pacientes. Outras opções, como antileucotrienos, podem ser consideradas, mas a combinação CI+LABA é geralmente a preferida para o próximo degrau de tratamento.
Sinais de asma não controlada em crianças incluem sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, tosse noturna mais de uma ou duas vezes por semana, necessidade de broncodilatador de ação curta mais de duas vezes por semana, limitação das atividades diárias ou crises frequentes que requerem intervenção.
A técnica de administração incorreta do inalador é uma causa comum de falha terapêutica, mesmo com a medicação adequada. Da mesma forma, a exposição contínua a fatores desencadeantes (alérgenos, irritantes) pode impedir o controle da asma. Ambos devem ser avaliados e corrigidos antes de qualquer escalonamento da terapia farmacológica.
A associação de um LABA é indicada quando a asma persistente não está controlada com corticosteroides inalatórios em dose moderada, após a otimização da técnica de inalação e o controle dos fatores desencadeantes. O LABA deve ser sempre utilizado em combinação com o corticosteroide inalatório, nunca como monoterapia na asma.
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