HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026
Paciente do sexo masculino de 19 anos de idade procura atendimento por queixa de crises de tosse, sibilos e falta de ar que tem acontecido de maneira quase diária. Tem antecedente pessoal apenas de asma e, apesar de fazer uso adequado de dispositivo inalatório de salbutamol – única medicação de que faz uso –, não tem tido controle de sintomas, o que já motivou duas idas à unidade de pronto atendimento nos últimos 6 meses, com uso de corticoterapia oral. Nunca foi intubado ou internado por crise. Ao exame, encontra-se bem, exceto pela ausculta pulmonar com sibilos difusos, sem desconforto respiratório em repouso e sem fala entrecortada, sem tiragens. Sinais vitais: pressão arterial: 128x67 mmHg, frequência cardíaca: 87 bpm, frequência respiratória: 17 ipm, saturação de oxigênio: 98%. Qual a melhor estratégia terapêutica nesse momento?
Asma não controlada → Substituir SABA isolado por CI-Formoterol (Track 1 GINA).
O uso isolado de SABA aumenta o risco de exacerbações graves. A estratégia preferencial (Track 1 GINA) utiliza CI-Formoterol como alívio e manutenção para controle inflamatório contínuo.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada por hiperresponsividade brônquica e limitação variável ao fluxo aéreo. O caso clínico apresenta um paciente jovem com sintomas quase diários e histórico de exacerbações (uso de corticoide oral), classificando-o como asma não controlada. Segundo as diretrizes do GINA, o manejo deve ser escalonado para atingir o controle dos sintomas e reduzir riscos futuros. A introdução de uma combinação de CI e formoterol como medicação de alívio (e manutenção, se necessário) é a conduta padrão ouro atual. O formoterol, apesar de ser um LABA, possui início de ação rápido (1-3 minutos), permitindo seu uso no resgate. Essa mudança de paradigma visa tratar a inflamação precocemente em cada episódio de broncoespasmo, evitando o ciclo de uso excessivo de broncodilatadores isolados que mascaram o agravamento da inflamação.
O uso frequente de agonistas beta-2 de curta duração (SABA) isoladamente está associado à dessensibilização dos receptores beta, aumento da inflamação eosinofílica e maior risco de exacerbações graves e morte relacionada à asma. O GINA agora recomenda que todos os adultos e adolescentes recebam terapia contendo corticosteroides inalatórios (CI) para reduzir o risco de crises, mesmo em sintomas leves, garantindo que o tratamento da broncoconstrição seja sempre acompanhado do tratamento da inflamação subjacente.
A Track 1 utiliza a combinação de um corticosteroide inalatório (CI) e formoterol (um LABA de início rápido) tanto para a manutenção quanto para o alívio dos sintomas (estratégia MART). Isso garante que o paciente receba uma dose extra de anti-inflamatório sempre que precisar tratar sintomas agudos, prevenindo a progressão para exacerbações graves. É a abordagem preferencial por reduzir o risco de crises em comparação ao uso de SABA como resgate.
O Omalizumabe é um anticorpo monoclonal anti-IgE indicado para pacientes com asma alérgica grave (Step 5) que permanecem não controlados apesar do tratamento otimizado com altas doses de CI-LABA e controle de fatores ambientais. Não é uma terapia de primeira linha para pacientes que ainda não iniciaram o controle básico com corticoides inalatórios ou que estão em etapas iniciais de tratamento.
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