Anticoagulação Perioperatória: Bridging em Prótese Mecânica

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2015

Enunciado

Paciente feminina com fibrilação atrial e prótese valvar mitral mecânica está anticoagulada a pleno via oral e será submetida a procedimento cirúrgico com alto risco de hemorragia. Qual a conduta mais adequada a seguir?

Alternativas

  1. A) Manter anticoagulação oral inalterada.
  2. B) Suspender fármacos via oral uma semana antes do procedimento.
  3. C) Trocar anticoagulação oral temporariamente por heparina de baixo peso molecular, e suspender esta antes do procedimento.
  4. D) Trocar anticoagulacão via oral por AAS 200mg/d uma semana antes do procedimento.
  5. E) Trocar anticoagulação via oral por AAS 200mg + clopidogrel 75mg/d uma semana antes do procedimento.

Pérola Clínica

Paciente com prótese mecânica e FA em anticoagulação oral para cirurgia de alto risco → bridging com HBPM, suspender HBPM pré-procedimento.

Resumo-Chave

Pacientes com alto risco tromboembólico (como prótese valvar mecânica e fibrilação atrial) que necessitam de cirurgia com alto risco de sangramento devem realizar "bridging" (ponte) da anticoagulação. Isso envolve a suspensão do anticoagulante oral e a substituição temporária por heparina de baixo peso molecular (HBPM), que é então suspensa pouco antes do procedimento.

Contexto Educacional

O manejo da anticoagulação em pacientes que necessitam de procedimentos cirúrgicos é um desafio clínico que exige um equilíbrio delicado entre o risco de sangramento e o risco de trombose. Pacientes com próteses valvares mecânicas, especialmente na posição mitral, e fibrilação atrial, apresentam um alto risco tromboembólico e, portanto, requerem uma estratégia cuidadosa. A conduta mais adequada para esses pacientes é a realização de "bridging" (ponte) da anticoagulação. Isso envolve a suspensão do anticoagulante oral (geralmente varfarina) alguns dias antes da cirurgia e a introdução de um anticoagulante de ação mais curta, como a heparina de baixo peso molecular (HBPM) ou heparina não fracionada. A HBPM é preferida em muitos casos devido à sua previsibilidade e facilidade de administração. A HBPM deve ser suspensa um período antes do procedimento (geralmente 12-24 horas) para que seu efeito anticoagulante diminua, minimizando o risco de hemorragia durante a cirurgia. Após o procedimento, a HBPM pode ser reiniciada quando o risco de sangramento for aceitável, e o anticoagulante oral é reintroduzido, com a HBPM sendo mantida até que o INR atinja o nível terapêutico desejado. Este manejo perioperatório é crucial para a segurança do paciente e a prevenção de complicações graves.

Perguntas Frequentes

O que é a estratégia de "bridging" (ponte) na anticoagulação perioperatória?

A estratégia de "bridging" consiste em suspender temporariamente o anticoagulante oral (como varfarina) antes de um procedimento invasivo e substituí-lo por um anticoagulante de ação mais curta, geralmente heparina de baixo peso molecular (HBPM) ou heparina não fracionada, que pode ser suspensa e reiniciada mais rapidamente.

Quais pacientes se beneficiam mais da estratégia de bridging?

Pacientes com alto risco tromboembólico, como aqueles com próteses valvares mecânicas (especialmente mitrais), fibrilação atrial com alto escore CHA2DS2-VASc, tromboembolismo venoso recente ou trombofilia grave, são os principais candidatos ao bridging.

Quando a heparina de baixo peso molecular deve ser suspensa antes da cirurgia?

A heparina de baixo peso molecular (HBPM) deve ser suspensa 12 a 24 horas antes do procedimento cirúrgico, dependendo da dose e do risco de sangramento, para permitir que seu efeito anticoagulante diminua e minimize o risco de hemorragia intraoperatória.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo