INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020
Uma mulher com 35 anos de idade exerce prostituição há 8 anos em hotéis da cidade para seu sustento e de seus filhos. Em virtude da pandemia da COVID-19, há 6 meses não trabalha e vem apresentando grave dificuldade financeira. Ao consultar na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro, queixa-se de preocupações excessivas, nervosismo, tremores, palpitações e tonturas. Nesse caso, qual é a conduta adequada do médico de família e comunidade?
Ansiedade em vulnerabilidade social → escuta ativa, PTS e retorno programado na UBS.
Em pacientes com sintomas de ansiedade em contexto de vulnerabilidade social, a conduta do médico de família e comunidade deve ser holística e centrada na pessoa. Isso inclui oferecer escuta ativa para compreender o sofrimento, construir um Plano Terapêutico Singular (PTS) que aborde aspectos biopsicossociais e garantir a continuidade do cuidado com retornos programados na UBS, evitando medicalização excessiva inicial.
A saúde mental é um componente integral da saúde, e a Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha um papel crucial no manejo de transtornos mentais comuns, como a ansiedade, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. Pacientes em situação de estresse socioeconômico, como a mulher do caso, frequentemente desenvolvem sintomas de ansiedade, nervosismo, tremores e palpitações, que são reações compreensíveis a circunstâncias de vida adversas. Nesses casos, a conduta do médico de família e comunidade deve ser pautada na abordagem biopsicossocial, que reconhece a interconexão entre fatores biológicos, psicológicos e sociais na saúde e na doença. A escuta ativa é o primeiro e mais importante passo, permitindo ao paciente expressar seu sofrimento e ao profissional compreender a complexidade da situação. É fundamental validar os sentimentos do paciente e não reduzir sua queixa a um mero sintoma biológico. Após a escuta, a construção de um Plano Terapêutico Singular (PTS) é essencial. O PTS envolve a pactuação de ações com o paciente, que podem incluir desde orientações sobre manejo do estresse, estratégias de enfrentamento, encaminhamento para grupos de apoio, até a avaliação criteriosa da necessidade de medicação, sempre com foco na autonomia do paciente. O agendamento de retornos programados na UBS garante a continuidade do cuidado, o monitoramento da evolução e a adaptação do plano, fortalecendo o vínculo e a longitudinalidade, que são pilares da APS.
Os pilares incluem a escuta ativa e acolhimento, a identificação dos fatores estressores (sociais, econômicos, emocionais), a psicoeducação, a promoção de hábitos saudáveis, a construção de um Plano Terapêutico Singular (PTS) e, se necessário, o uso criterioso de psicofármacos, sempre com acompanhamento.
O PTS é um conjunto de propostas de condutas terapêuticas articuladas para um indivíduo ou grupo, construído de forma compartilhada entre a equipe e o paciente. É crucial neste caso porque permite abordar as múltiplas dimensões do sofrimento (psicológica, social, econômica) de forma personalizada e integrada, indo além da medicação.
O encaminhamento para a psiquiatria deve ser considerado em casos de ansiedade grave e refratária ao tratamento na APS, com risco de suicídio, comorbidades psiquiátricas complexas, ou quando há necessidade de avaliação especializada para ajuste de medicação. A maioria dos casos pode ser manejada na própria UBS.
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