Visão Laser - Centro Oftalmológico (SP) — Prova 2020
Paciente vítima de lesão penetrante abdominal por arma de fogo chega ao pronto-socorro em choque hemorrágico classe IV, é indicada laparotomia exploradora. Faz uso contínuo de benzodiazepínico como ansiolítico, e hoje fez uso de álcool e cocaína. Na intubação na sala de emergência, optou-se por utilizar etomidato e succinilcolina. Sobre o caso acima, assinale a correta:
Usuários de cocaína podem requerer doses ↑ de opioides devido à tolerância cruzada e ativação simpática.
O uso crônico ou agudo de cocaína pode levar a uma tolerância aumentada a opioides e a uma maior ativação do sistema nervoso simpático. Isso significa que, para atingir o mesmo efeito analgésico ou sedativo, doses maiores de opioides podem ser necessárias em comparação com pacientes que não usam cocaína. Além disso, a cocaína pode aumentar o risco de arritmias e isquemia miocárdica, o que deve ser considerado no manejo anestésico.
O manejo anestésico de pacientes traumatizados em choque hemorrágico, especialmente aqueles com histórico de uso de substâncias, é complexo e desafiador. A intubação de sequência rápida com etomidato (pela sua estabilidade hemodinâmica) e succinilcolina (pela rápida ação e curta duração) é uma escolha comum. No entanto, o uso de álcool, benzodiazepínicos e cocaína impacta significativamente a farmacodinâmica e farmacocinética dos agentes anestésicos e analgésicos. A cocaína, um potente estimulante do sistema nervoso central e simpaticomimético, pode causar taquicardia, hipertensão e arritmias. Pacientes usuários de cocaína podem desenvolver tolerância a opioides, exigindo doses maiores para analgesia adequada. Além disso, a combinação de cocaína com opioides pode aumentar o risco de complicações cardiovasculares. A raquianestesia é contraindicada em pacientes com choque hipovolêmico classe IV devido ao risco de hipotensão grave e colapso cardiovascular, pois a vasodilatação induzida pela raqui agravaria a hipovolemia. O óxido nitroso, embora um bom analgésico e sedativo, não é a primeira opção para manutenção em choque grave devido ao seu potencial de deprimir o miocárdio em pacientes instáveis e à necessidade de altas concentrações de oxigênio. É crucial que o anestesiologista esteja ciente do histórico de uso de substâncias para ajustar as doses dos medicamentos e antecipar possíveis complicações. A monitorização hemodinâmica rigorosa e a titulação cuidadosa dos fármacos são essenciais para garantir a segurança e a estabilidade do paciente durante o procedimento cirúrgico de emergência.
O uso de cocaína pode induzir tolerância aos opioides e aumentar a atividade simpática, resultando na necessidade de doses maiores de opioides para alcançar analgesia e sedação adequadas durante a anestesia.
A cocaína é um potente estimulante simpaticomimético que pode causar taquicardia, hipertensão, arritmias e isquemia miocárdica, aumentando o risco de eventos cardiovasculares adversos durante o período perioperatório.
A raquianestesia causa vasodilatação e pode agravar a hipotensão em pacientes com choque hemorrágico grave (classe IV), levando a um colapso cardiovascular e piora da perfusão orgânica, sendo, portanto, contraindicada.
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