Anafilaxia Pediátrica: Manejo de Emergência com Adrenalina

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Escolar de 7 anos, sem história prévia de comorbidades, após retornar de festa infantil apresenta subitamente placas pruriginosas, edema em lábios, além de relatar dificuldade para respirar. É levada à emergência onde observa-se taquicardia, perfusão capilar periférica lentificada e broncoespasmo. Como deverá ser realizada a abordagem dessa paciente?

Alternativas

  1. A) Anti-histamínicos, broncodilatador e corticoide inalatório.
  2. B) Adrenalina intramuscular, expansão volêmica e elevação de membros inferiores.
  3. C) Broncodilatador, corticóide intravenoso e anti-histamínicos.
  4. D) Adrenalina subcutânea, broncodilatador e expansão volêmica.

Pérola Clínica

Anafilaxia com comprometimento circulatório/respiratório → Adrenalina IM (primeira linha), expansão volêmica e suporte.

Resumo-Chave

A anafilaxia é uma reação alérgica grave e de rápida progressão que pode ser fatal. O tratamento de primeira linha e mais crucial é a administração de adrenalina intramuscular, que atua revertendo o broncoespasmo, a vasodilatação e o edema. A expansão volêmica é essencial para combater o choque distributivo e a elevação dos membros inferiores pode auxiliar no retorno venoso.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave e potencialmente fatal, caracterizada por início rápido e comprometimento de múltiplos sistemas orgânicos. Em crianças, a exposição a alimentos, picadas de insetos e medicamentos são as causas mais comuns. O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas, como urticária, angioedema (especialmente em lábios e face), dificuldade respiratória (broncoespasmo) e sinais de choque (taquicardia, perfusão capilar lentificada), é crucial para um manejo eficaz. A fisiopatologia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios (histamina, leucotrienos, etc.) por mastócitos e basófilos, resultando em vasodilatação sistêmica, aumento da permeabilidade vascular, broncoespasmo e contração da musculatura lisa. Isso leva a uma rápida queda da pressão arterial, choque distributivo e comprometimento respiratório. O tratamento de primeira linha e mais importante para a anafilaxia é a administração imediata de adrenalina intramuscular. A adrenalina atua como um agonista alfa e beta-adrenérgico, revertendo a vasodilatação, o broncoespasmo e o edema. Além da adrenalina, a expansão volêmica com cristaloides é fundamental para combater a hipovolemia relativa e o choque. Medidas de suporte, como oxigenoterapia e elevação dos membros inferiores, também são importantes. Anti-histamínicos e corticoides são considerados terapias adjuvantes e não substituem a adrenalina.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para anafilaxia?

A anafilaxia é diagnosticada pela presença de início agudo de sintomas que afetam a pele/mucosas (urticária, angioedema), sistema respiratório (dispneia, broncoespasmo) e/ou sistema circulatório (hipotensão, taquicardia, choque), geralmente após exposição a um alérgeno conhecido ou provável.

Qual a dose e via de administração da adrenalina para anafilaxia em crianças?

A dose recomendada de adrenalina intramuscular para crianças é de 0,01 mg/kg (máximo de 0,5 mg) da solução 1:1000, administrada na face anterolateral da coxa. Pode ser repetida a cada 5-15 minutos se necessário.

Por que a expansão volêmica é importante no tratamento do choque anafilático?

A anafilaxia causa vasodilatação sistêmica e extravasamento de fluidos para o espaço extravascular, levando à hipovolemia relativa e choque. A expansão volêmica com cristaloides (ex: soro fisiológico 0,9%) é crucial para restaurar o volume intravascular e melhorar a perfusão.

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