Amamentação: Manejo de Fissuras e Perda Ponderal em Recém-Nascidos

CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2020

Enunciado

Recém-nascido a termo, masculino, peso adequado à idade gestacional (AIG), mãe é primípara, a criança nasceu de parto hospitalar normal, Apgar de 8 e 9 respectivamente, recebeu alta da maternidade com 48 horas de vida, em aleitamento materno exclusivo sem intercorrências no período. Com 5 dias de vida é trazido à UBS para consulta de rotina onde foi detectado que a mãe está com fissuras nos mamilos e a perda ponderal da criança foi de 12% em relação ao peso do nascimento. Qual a conduta correta para este caso?

Alternativas

  1. A) Oferecer apoio à mãe e eventual prescrição de analgésico à mesma e cuidados com a fissura; orientar quanto à pega, posição e alternância das mamas; retorno com 7 dias para reavaliar.
  2. B) Oferecer apoio à mãe e eventual prescrição de analgésicos e pomadas umectantes para passar nos seios, prescrever fórmula infantil de partida para o recém-nascido até cicatrizarem as lesões, retorno com 15 dias para reavaliar.
  3. C) Oferecer apoio à mãe e prescrever pomadas anestésicas, protetores de silicone para o mamilo, complementar com fórmula infantil de partida e retorno com 30 dias de vida para reavaliar.
  4. D) Tranquilizar a mãe quanto ao caráter auto-limitado das fissuras e quanto à perda ponderal fisiológica dos recém-nascidos neste período. Retorno com 15 dias de vida.

Pérola Clínica

Perda ponderal >10% em RN + fissura mamilar → corrigir pega e posição, suporte à mãe, reavaliar em 7 dias.

Resumo-Chave

A perda ponderal de um recém-nascido acima de 10% do peso de nascimento, associada a fissuras mamilares maternas, é um sinal de alerta para dificuldades na amamentação, geralmente relacionadas à pega e posição incorretas. A conduta prioritária é oferecer suporte à mãe, corrigir a técnica de amamentação e monitorar de perto o ganho de peso do bebê.

Contexto Educacional

O aleitamento materno é fundamental para a saúde do recém-nascido e da mãe. No entanto, os primeiros dias pós-parto podem apresentar desafios, como a perda ponderal fisiológica do bebê, que não deve exceder 10% do peso de nascimento, e o surgimento de fissuras mamilares na mãe, frequentemente indicativas de uma pega incorreta. A perda ponderal acima de 10% ou a ausência de recuperação do peso de nascimento após 7-10 dias são sinais de alerta para uma ingestão inadequada de leite, que pode levar à desidratação e hipoglicemia no bebê. As fissuras mamilares, além de dolorosas, podem dificultar a amamentação e levar ao desmame precoce. Ambos os problemas geralmente estão interligados e são causados por uma técnica de amamentação inadequada. A conduta correta envolve uma avaliação detalhada da mamada, com foco na pega e posição do bebê. É essencial oferecer apoio e orientação à mãe, corrigir a técnica, e, se necessário, prescrever analgésicos tópicos ou sistêmicos para o alívio da dor. O acompanhamento próximo, com reavaliação em poucos dias, é crucial para garantir a resolução dos problemas e o sucesso do aleitamento materno exclusivo.

Perguntas Frequentes

Qual a perda ponderal máxima esperada em um recém-nascido amamentado?

A perda ponderal fisiológica esperada em um recém-nascido amamentado é de até 10% do peso de nascimento nos primeiros dias de vida. Perdas superiores a isso ou a não recuperação do peso de nascimento até 7-10 dias indicam problemas na amamentação.

Como corrigir a pega e a posição do bebê na amamentação?

Para corrigir a pega, o bebê deve abocanhar não apenas o mamilo, mas grande parte da aréola, com a boca bem aberta e lábios evertidos. A posição deve ser confortável para a mãe e o bebê, com o corpo do bebê alinhado e próximo ao corpo da mãe, barriga com barriga.

Quais são as causas mais comuns de fissuras mamilares durante a amamentação?

As fissuras mamilares são mais frequentemente causadas por uma pega incorreta do bebê no seio, que resulta em trauma repetitivo ao mamilo. Outras causas incluem uso inadequado de bombas de sucção, candidíase mamária ou dermatites.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo