Fibrilação Atrial: Controle de Frequência em Pacientes Estáveis

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2021

Enunciado

Uma paciente de 26 anos procurou a emergência com queixas de palpitações e dispneia aos esforços, iniciadas há três dias. Ao exame, apresenta-se eupneica, consciente e orientada, com turgência jugular, estertores fi nos em bases pulmonares, ritmo cardíaco irregularmente irregular com frequência de 120 bpm e sopro diastólico no ictuscordis. PA 120x70mmHg. Qual a medida recomendada nesse momento?

Alternativas

  1. A) Diltiazem.
  2. B) Amiodarona.
  3. C) Ecocardiograma transesofágico.
  4. D) Cardioversão elétrica.
  5. E) Warfarin.

Pérola Clínica

FA com alta resposta ventricular e estabilidade hemodinâmica → controle de frequência com Diltiazem/Metoprolol.

Resumo-Chave

A paciente apresenta fibrilação atrial com alta resposta ventricular e sinais de insuficiência cardíaca, mas está hemodinamicamente estável (PA 120x70mmHg). A prioridade é o controle da frequência cardíaca. Diltiazem é um bloqueador de canal de cálcio não diidropiridínico, eficaz e seguro para este fim em pacientes sem pré-excitação ou disfunção ventricular grave.

Contexto Educacional

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum, com prevalência crescente e grande impacto na morbimortalidade cardiovascular. É crucial para residentes e profissionais de saúde dominar o manejo agudo e crônico dessa condição, que frequentemente se apresenta em emergências médicas. O reconhecimento dos sinais e sintomas, como palpitações, dispneia e ritmo irregularmente irregular, é o primeiro passo para um diagnóstico e tratamento eficazes. O manejo da FA depende da estabilidade hemodinâmica do paciente e da presença de comorbidades. Em pacientes hemodinamicamente estáveis, como no caso apresentado, a prioridade é o controle da frequência cardíaca para aliviar os sintomas e prevenir a cardiomiopatia induzida por taquicardia. Agentes como betabloqueadores (ex: metoprolol) e bloqueadores de canal de cálcio não diidropiridínicos (ex: diltiazem, verapamil) são as escolhas de primeira linha. A presença de um sopro diastólico no ictus cordis sugere estenose mitral, uma causa comum de FA. Além do controle de frequência, a avaliação do risco de tromboembolismo e a instituição de anticoagulação são fundamentais no manejo da FA, especialmente em pacientes com estenose mitral. A escolha da estratégia (controle de frequência vs. controle de ritmo) e o tipo de anticoagulante devem ser individualizados, considerando o perfil de risco do paciente. A compreensão desses princípios é vital para a prática clínica e para o sucesso em provas de residência.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica na fibrilação atrial que indicam cardioversão elétrica imediata?

Sinais de instabilidade incluem hipotensão, choque, isquemia miocárdica aguda, insuficiência cardíaca aguda com edema pulmonar e pré-excitação com FA de alta resposta. Nesses casos, a cardioversão elétrica sincronizada é a conduta de escolha.

Por que o Diltiazem é uma boa escolha para controle de frequência na FA?

O Diltiazem é um bloqueador de canal de cálcio não diidropiridínico que atua diminuindo a condução no nó atrioventricular, reduzindo a frequência ventricular. É eficaz, tem início de ação rápido e é seguro em pacientes com função ventricular preservada e sem pré-excitação.

Quais seriam as contraindicações para o uso de Diltiazem ou outros bloqueadores de canal de cálcio na FA?

As principais contraindicações incluem disfunção ventricular grave (insuficiência cardíaca descompensada), síndrome de Wolff-Parkinson-White (pré-excitação) com FA, hipotensão e bradicardia severa. Nesses casos, outras opções como a amiodarona ou a cardioversão podem ser consideradas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo