Abstinência Alcoólica: Escolha do Benzodiazepínico na Hepatopatia

SMS-RJ - Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2023

Enunciado

Sobre o manejo da abstinência alcoólica, está correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) para pacientes com hepatopatia grave, o lorazepam é a melhor opção de benzodiazepínico para alivio dos sintomas
  2. B) a escala CIWA-Ar permite determinar se o paciente necessita de suplementação de tiamina
  3. C) a reposição de tiamina deve ser realizada com 100mg/ dia por via intramuscular por 30 dias
  4. D) deve ser realizado exclusivamente em centros de atenção psicossocial - álcool e outras drogas

Pérola Clínica

Hepatopatia grave + abstinência alcoólica → Lorazepam ou Oxazepam são BDZs de escolha (metabolismo hepático mais seguro).

Resumo-Chave

Em pacientes com hepatopatia grave, a escolha do benzodiazepínico para o manejo da abstinência alcoólica é crucial devido ao metabolismo hepático. Lorazepam e Oxazepam são preferíveis por terem metabolismo mais curto e não dependerem de conjugação oxidativa, minimizando o risco de acúmulo e toxicidade.

Contexto Educacional

O manejo da abstinência alcoólica é uma emergência médica comum, exigindo atenção cuidadosa para prevenir complicações graves como o delirium tremens e convulsões. A síndrome de abstinência alcoólica ocorre devido à interrupção abrupta do consumo de álcool em indivíduos dependentes, resultando em hiperatividade do sistema nervoso autônomo. O tratamento visa aliviar os sintomas e prevenir desfechos adversos, sendo os benzodiazepínicos a base da terapia. Em pacientes com hepatopatia grave, a escolha do benzodiazepínico é um ponto crítico. Drogas como o diazepam e o clordiazepóxido possuem metabólitos ativos de longa duração e dependem de metabolismo oxidativo hepático, o que pode levar ao acúmulo e toxicidade em fígados comprometidos. Nesses casos, o lorazepam e o oxazepam são preferíveis, pois são metabolizados por conjugação (glicuronidação), um processo menos afetado pela disfunção hepática grave, resultando em menor risco de sedação excessiva e encefalopatia. Além dos benzodiazepínicos, a reposição de tiamina é fundamental para todos os pacientes com abstinência alcoólica, visando prevenir a encefalopatia de Wernicke e a psicose de Korsakoff. A escala CIWA-Ar é uma ferramenta útil para monitorar a gravidade dos sintomas e guiar a titulação dos benzodiazepínicos, mas não para indicar a tiamina, que deve ser administrada profilaticamente. O tratamento pode ser ambulatorial ou hospitalar, dependendo da gravidade dos sintomas e da presença de comorbidades.

Perguntas Frequentes

Qual benzodiazepínico é preferível para abstinência alcoólica em pacientes com hepatopatia grave?

Em pacientes com hepatopatia grave, o lorazepam e o oxazepam são os benzodiazepínicos de escolha. Eles possuem metabolismo mais seguro, com menor dependência da função hepática oxidativa, reduzindo o risco de acúmulo e efeitos adversos.

A escala CIWA-Ar determina a necessidade de suplementação de tiamina?

Não, a escala CIWA-Ar (Clinical Institute Withdrawal Assessment for Alcohol – Revised) avalia a gravidade dos sintomas da abstinência alcoólica para guiar o tratamento com benzodiazepínicos. A suplementação de tiamina é uma medida profilática padrão para todos os pacientes com abstinência alcoólica, independentemente da pontuação CIWA-Ar, para prevenir a Síndrome de Wernicke-Korsakoff.

Qual a dose e via de reposição de tiamina na abstinência alcoólica?

A reposição de tiamina deve ser realizada com 100 mg por via intravenosa ou intramuscular, geralmente três vezes ao dia, por alguns dias, especialmente se houver suspeita de encefalopatia de Wernicke. A dose de 100 mg/dia por via intramuscular por 30 dias pode ser uma manutenção, mas a fase aguda exige doses mais elevadas e frequentemente intravenosas.

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