PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2025
Um homem de 25 anos apresenta dor abdominal, há uma semana, no quadrante inferior direito do abdome, febre e leucocitose. A tomografia computadorizada mostra evidências de perfuração do apêndice com abscesso periapendicular. Qual é o tratamento mais apropriado?
Apendicite com abscesso > 3-4 cm → Antibióticos IV + Drenagem percutânea + Apendicectomia de intervalo.
O tratamento inicial da apendicite complicada com abscesso localizado visa controlar a sepse e a inflamação. A cirurgia imediata em um campo com intenso processo inflamatório (plastão) aumenta o risco de lesões iatrogênicas, sendo preferível a drenagem e antibioticoterapia, seguidas de apendicectomia eletiva.
A apendicite aguda complicada, definida pela presença de perfuração, abscesso ou peritonite difusa, representa um desafio terapêutico. O abscesso periapendicular ocorre quando uma perfuração do apêndice é contida pelas estruturas adjacentes, como o omento e alças intestinais, formando uma coleção purulenta localizada. Esta condição exige uma abordagem de tratamento cuidadosa para minimizar a morbidade. O diagnóstico é fortemente sugerido pela clínica de dor abdominal prolongada (geralmente mais de 5 dias), febre e massa palpável em fossa ilíaca direita, sendo a tomografia computadorizada (TC) de abdome o método de imagem de escolha para confirmação. A TC define a presença, tamanho e localização do abscesso, orientando a estratégia terapêutica. A presença de um abscesso bem delimitado e contido é o principal fator que direciona para um manejo não operatório inicial. O tratamento padrão para um paciente estável com abscesso periapendicular consiste em antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro e drenagem percutânea guiada por imagem (ultrassom ou TC), especialmente para coleções maiores que 3-4 cm. Esta abordagem permite o controle do foco infeccioso com menor risco que uma cirurgia de urgência em tecido friável e inflamado. Após a resolução do quadro agudo, indica-se a apendicectomia de intervalo (eletiva), realizada 6 a 8 semanas depois, para prevenir recorrências e afastar a possibilidade de neoplasias.
Na tomografia computadorizada, os achados incluem apêndice espessado, coleção líquida periapendicular bem definida com realce anelar (abscesso), borramento da gordura adjacente e, possivelmente, a presença de um apendicolito fora do lúmen apendicular.
A apendicectomia de intervalo é realizada de 6 a 8 semanas após a resolução do quadro agudo. O objetivo é prevenir a recorrência da apendicite (risco de 10-20%) e excluir neoplasias subjacentes, especialmente em pacientes com mais de 40 anos.
A principal complicação é a lesão iatrogênica de estruturas adjacentes, como o ceco ou íleo terminal, devido à intensa inflamação e aderências que dificultam a dissecção. Isso pode levar a fístulas, ressecções intestinais não planejadas e maior morbidade.
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