USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Paciente 22 anos, G1 P0A0, tempo de amenorreia de 8 semanas e 2 dias, dá entrada na unidade de emergência com queixa de sangramento vaginal há 4 horas. Ao exame a paciente está em bom estado geral, descorada +/4+, afebril, pressão arterial = 110/50 mmHg, frequência cardíaca = 90 bpm. Especular: presença de sangue em fundo de saco com saída ativa pelo orifício externo do colo em pequena quantidade. Ao toque, o colo está amolecido, fechado. O útero é globoso, amolecido e palpável 2 centímetros acima da sínfise púbica. Foi realizado exame ultrassonográfico transvaginal (imagem abaixo). Qual a conduta terapêutica mais adequada no momento?
Abortamento retido com colo fechado e sangramento ativo → esvaziamento uterino por vácuo-aspiração (AMIU).
Em casos de abortamento retido ou incompleto com sangramento ativo e colo fechado, a vácuo-aspiração uterina (AMIU) é a conduta de escolha. Este procedimento é mais rápido, seguro e menos invasivo que a curetagem, minimizando riscos de perfuração e sinéquias.
O abortamento retido é uma condição comum na obstetrícia, caracterizada pela morte do embrião ou feto antes de 20 semanas de gestação, com produtos da concepção permanecendo no útero. A incidência é significativa, sendo uma das principais causas de sangramento no primeiro trimestre. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações como hemorragia e infecção, além de minimizar o impacto psicológico na paciente. A fisiopatologia envolve a interrupção do desenvolvimento embrionário, muitas vezes por anomalias cromossômicas. O diagnóstico é feito por ultrassonografia transvaginal, que evidencia a ausência de batimentos cardíacos fetais em um embrião com tamanho compatível ou um saco gestacional vazio. A suspeita clínica surge com a queixa de sangramento vaginal, dor abdominal ou a ausência de sintomas gestacionais previamente presentes. A conduta terapêutica depende da estabilidade hemodinâmica da paciente, do tempo de gestação e da preferência da mulher. Em casos de abortamento retido com sangramento ativo e colo uterino fechado, a vácuo-aspiração uterina (AMIU) é o método de escolha, por ser mais seguro, rápido e com menor morbidade em comparação à curetagem. O tratamento de suporte, incluindo analgesia e acompanhamento, é fundamental.
O abortamento retido pode ser assintomático ou apresentar sangramento vaginal discreto, dor abdominal leve e ausência de crescimento uterino. O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia, que mostra um embrião sem atividade cardíaca ou saco gestacional vazio.
A vácuo-aspiração uterina (AMIU) é preferencial por ser um método seguro, rápido e eficaz para o esvaziamento uterino. Ela apresenta menor risco de perfuração uterina, infecção e formação de sinéquias intrauterinas (Síndrome de Asherman) em comparação com a curetagem.
O tratamento expectante ou medicamentoso (com misoprostol) pode ser considerado em pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de infecção e que desejam evitar um procedimento invasivo. No entanto, em casos de sangramento ativo ou instabilidade, a intervenção cirúrgica é geralmente indicada.
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