UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2020
Analise a ilustrações numeradas abaixo: Assinale a alternativa que que indica a denominação correta das malformações uterinas.
Malformações uterinas: bicorno (fusão incompleta), didelfo (falha de fusão), septado (reabsorção incompleta do septo).
A correta identificação das malformações uterinas é crucial para o manejo reprodutivo. O útero bicorno resulta de falha na fusão dos ductos de Müller, o didelfo de falha completa de fusão, e o septado de falha na reabsorção do septo uterino, cada um com implicações clínicas distintas.
As malformações uterinas, ou anomalias müllerianas, são defeitos congênitos resultantes de alterações no desenvolvimento, fusão ou reabsorção dos ductos de Müller durante a embriogênese. Embora muitas mulheres sejam assintomáticas, essas anomalias podem estar associadas a infertilidade, abortos de repetição, partos prematuros e apresentações fetais anômalas, sendo um tema de grande relevância na ginecologia e obstetrícia. A incidência varia, mas são mais frequentemente diagnosticadas em mulheres com histórico de problemas reprodutivos. A compreensão da fisiopatologia é essencial para o diagnóstico. O útero didelfo resulta da falha completa de fusão dos ductos de Müller, o útero bicorno da fusão incompleta e o útero septado da reabsorção incompleta do septo uterino. O diagnóstico é frequentemente realizado por ultrassonografia transvaginal 3D, histerossalpingografia ou, mais precisamente, por ressonância magnética pélvica, que permite diferenciar os tipos de malformação e planejar a conduta. Níveis de FSH e LH elevados em amenorreia secundária, após estímulo com estrogênio e progestogênio, são indicativos de falência ovariana precoce. O tratamento depende do tipo de malformação e dos sintomas. A septoplastia histeroscópica é o tratamento de escolha para o útero septado, melhorando significativamente o prognóstico gestacional. Outras malformações, como o útero didelfo ou bicorno, geralmente não requerem correção cirúrgica, a menos que haja sintomas específicos ou complicações. O acompanhamento pré-natal em gestações com malformações uterinas deve ser mais rigoroso devido ao maior risco de complicações obstétricas.
O útero bicorno apresenta uma indentação externa no fundo uterino e dois cornos uterinos, resultado de fusão incompleta dos ductos de Müller. O útero didelfo é caracterizado por dois úteros completamente separados, cada um com seu colo e, por vezes, vagina. O útero septado possui um contorno externo normal, mas um septo fibroso ou muscular divide a cavidade uterina, sendo a malformação mais comum e com pior prognóstico obstétrico.
A classificação correta é fundamental para determinar o prognóstico reprodutivo e guiar o tratamento. Por exemplo, o útero septado está associado a altas taxas de abortamento e pode ser corrigido cirurgicamente (histeroscopia), enquanto o útero bicorno e didelfo geralmente não são corrigidos, a menos que haja complicações específicas.
A ultrassonografia transvaginal 3D é a primeira linha para triagem e diagnóstico. A ressonância magnética (RM) pélvica é considerada o padrão-ouro para detalhar a anatomia uterina, diferenciando septos de úteros bicornos e didelfos, e avaliando a presença de septos vaginais ou anomalias renais associadas.
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