HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2024
Mulher de 28 anos de idade, nuligesta, vem para consulta ginecológica de rotina. Não tem queixas no momento. Ao realizar o exame especular para coleta de citologia, são identificados dois colos uterinos. A ultrassonografia transvaginal solicitada posteriormente indica que há duas cavidades uterinas. Considerando as malformações Mullerianas, a principal hipótese diagnóstica corresponde à ausência de:
Dois colos e duas cavidades uterinas → Útero didelfo = falha completa de fusão dos ductos paramesonéfricos.
A presença de dois colos e duas cavidades uterinas (útero didelfo) é a manifestação mais completa da falha de fusão dos ductos paramesonéfricos (Müllerianos) durante o desenvolvimento embrionário, resultando em dois sistemas uterovaginais separados.
As malformações müllerianas são anomalias congênitas do trato reprodutor feminino que resultam de falhas no desenvolvimento, fusão ou reabsorção dos ductos paramesonéfricos durante a embriogênese. A compreensão dessas malformações é crucial para ginecologistas e residentes, pois podem estar associadas a problemas reprodutivos como infertilidade, abortos de repetição e complicações obstétricas. A prevalência varia, mas são um achado importante em investigações de infertilidade. O caso de dois colos e duas cavidades uterinas é classicamente descrito como útero didelfo, que ocorre devido à falha completa de fusão dos ductos paramesonéfricos. Cada ducto se desenvolve independentemente, formando um útero e um colo separados, e frequentemente uma vagina dupla. O diagnóstico é essencial para o aconselhamento reprodutivo e para o planejamento de gestações futuras, que podem exigir acompanhamento especializado. O manejo depende do tipo de malformação e dos sintomas apresentados. Em casos de útero didelfo, a correção cirúrgica geralmente não é indicada, a menos que haja um septo vaginal obstrutivo. O foco é no manejo das complicações reprodutivas, como o acompanhamento rigoroso da gestação para prevenir partos prematuros. O conhecimento detalhado da embriologia é fundamental para diferenciar as diversas anomalias e propor a melhor conduta clínica.
As malformações müllerianas incluem útero didelfo (falha completa de fusão), útero bicorno (falha parcial de fusão), útero septado (falha de reabsorção do septo), útero arqueado (variação menor), útero unicorno (desenvolvimento unilateral) e agenesia mülleriana (ausência de desenvolvimento).
O diagnóstico é frequentemente feito por ultrassonografia transvaginal, histerossalpingografia, ressonância magnética pélvica ou histeroscopia. A ressonância magnética é considerada o padrão-ouro para detalhar a anatomia uterina e diferenciar os tipos de malformações.
O útero didelfo pode estar associado a infertilidade, abortos de repetição, partos prematuros e apresentações fetais anômalas. No entanto, muitas mulheres com útero didelfo conseguem ter gestações bem-sucedidas, embora com maior risco de complicações obstétricas.
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